Um dos pontos mais movimentados de Cascavel nos finais de semana está nas bordas de um banco de concreto em forma de arco na Praça do Migrante.
Ali se estabelece uma mistura curiosa: idosos aposentados da “pedra”, lugar de “brique”, com ansiosos clientes da Panini, empresa italiana que mandou imprimir mada menos que 7 bilhões de figurinhas da Copa do Mundo.
Do outro lado da Avenida Brasil, surge um “puxadinho” da praça das figurinhas: é a tradicional Banca do Edson, fornecedora dos cromos. “A cada Copa a procura pelos álbuns e figurinhas aumenta”, afirma a empresária Marcia Estevão Coelho, a pessoa atrás do balcão da banca há 31 anos. Ela é irmã do fundador, Edson.
No sábado (30) o movimento era intenso. Em um dia como aquele, a banca vende até mil pacotes de figurinha. São 7 mil cromos novinhos em folha para colar ou trocar na praça. Trata-se de um mercado bilionário. A Panini, que tem concessão até 2031 para imprimir e vender figurinhas, fatura 1 bilhão de euros por Copa.
“Neste ano parece que as pessoas estão mais ansiosas”, constata Marcia. “Antes o pessoal ia preenchendo os álbuns à medida que os jogos da Copa estavam em andamento, agora já preenchem 10 dias depois de colar a primeira figurinha”.Vale destacar, ninguém gasta menos de R$ 1 mil entre álbum e as 980 figurinhas necessárias para preenchê-lo. Mas esse conta pode dobrar com as repetidas que movimentam um mercado paralelo de trocas.
O troca-troca gera personagens típicos a cada quatro anos. É o caso de Oreste, o “Tio das Figurinhas”, como ele próprio se apresenta em seu cartão. Ele prospecta figurinhas raras, como do francês Kylian Mbappé ou do português Cristiano Ronaldo, e vende cada uma delas por até R$ 100,00.
OS “FIGURAS”
A praça abriga também outras figuras, além do “Tio das Figurinhas”. Um grupo de idosos se reúne ali todo dia, com Copa ou sem Copa. Eles fazem “brique” de relógios, celulares usados e quaisquer outras coisas.
No dia em que a reportagem do Pitoco esteve no local, havia pandeiro, ferro de passar roupa e vários relógios para venda ou troca no local. Lugares assim levam o nome de “Pedra”, instituição que em outros tempos funcionou no bairro São Cristovão.
A praça também já serviu para abrigar os “chapas”, trabalhadores volantes, agora mais raros. Entre os “briqueiros” da “pedra” está o “Alemão”. É dele o pandeiro para brique. O mais falante é o “Papagaio”. Poucos ali se conhecem pelo nome, quase todos por apelidos. São os “figuras” entremeadas com a turma das figurinhas da Praça do Migrante.





