Dona Irene, minha mãe, gostou do pistache e Bob Marley respalda a decisão.
Quatro cores dominam dois terços da frota nacional de carros no Brasil: branco, preto, cinza e prata.
O quarteto é tão dominante, que a aquisição de um veículo de qualquer outra cor é considerada imprudente, sob pena de perder valor de revenda.
É argumento forte. Eu mesmo aderi a “ditadura das cores neutras”. Nos últimos 9 anos circulei com um Toyota prata, adquirido junto ao assinante 01 do Pitoco, Germano Zeni.
Não posso me queixar. O Prius foi valente, rodamos juntos mais de 200 mil quilômetros, com insignificante índice de intercorrência.
Na troca, disse um “rotundo não” - bordão consagrado pelo ex-governador Leonel Brizola - a ditadura do branco, preto, cinza e prata.
E radicalizei: escolhi logo um Geely pistache, marca recomendada pelo amigo Marcos Urio (Grupo Open) e pelo desempenho de vendas: modelo líder no “Planeta China”, desprovido de petróleo, barulho e fumaça.
Não faltou quem estranhasse:
- O que, você comprou um elétrico verde? Não tinha cinza, branco ou prata?
Eu poderia argumentar que nunca fui afeito ao “efeito manada” - fenômeno psicológico e social que ocorre quando indivíduos em grupo reagem de forma coordenada, seguindo as ações ou decisões da maioria, sem uma análise racional própria.
Romper com a ditadura dos neutros significa um grito de liberdade, colorir as ruas, refutar o “mais do mesmo”.
Ser diferente não nos torna melhor que ninguém, nem pior. E, para ficar em uma frase feita, “gosto não se discute”.
E ainda posso citar a frase atribuída a Bob Marley para contrapor “haters” indignados com o pistache:
“Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais"





