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Cascavel: entre lendas e fatos

Historiador reconstrói o berço do município e aponta episódios pouco conhecidos da formação da Capital do Oeste

Redação Pitoco08 de abril de 2026, às 19:37
Cascavel: entre lendas e fatos

Em entrevista do Pitocast, o podcast do Pitoco, o historiador Vander Piaia detalha a gênese do Município, contrapõe versões que considera lendárias e cobra reparação histórica para o Cascavel Velho e para a Central Santa Cruz, em Cafelândia.

Em uma conversa repleta de fatos documentados, o historiador, professor e economista Vander Piaia traça um panorama detalhado sobre as origens de Cascavel, desfazendo mitos e apontando o que ele considera como “dívidas históricas” da cidade.

Piaia defende que o reconhecimento ao bairro Cascavel Velho - berço do município - e a reparação da homenagem a um dos personagens mais sombrios da região são passos fundamentais para uma compreensão adequada de nosso passado.

A temática integra o livro “Terra, Sangue e Ambição - A Gênese de Cascavel”.

O RIGOR

“Obcecado” pelo resgate histórico, Vander Piaia faz questão de estabelecer a base de seu trabalho: o rigor documental. Para ele, a história não pode ser construída apenas sobre a memória oral. “Aquilo que eu escrevo, aquilo que eu defendo, estão plenamente amparados em vasta documentação”.

“Você ouve algo e isso abre um caminho para investigar, mas aquilo que a pessoa falam pode não ser verdade. Ela pode, ao longo dos anos, alterar a memória e inventar histórias”, alerta. Para ele, o documento e a comparação de fontes são essenciais para um filtro confiável, citando a importância de veículos de comunicação atuais como fontes para o futuro.

O NOME CASCAVEL

Vander derruba as lendas de que o nome da cidade Cascavel é originado por um homem picado por uma cobra em meio à mata. Segundo ele, entre 1900 e 1905, na região onde hoje é o bairro Cascavel Velho, “alguém matou uma cobra cascavel junto a uma fonte e a serpente foi pendurada em um pé de timbaúva”. Essa história tem como base relatos de moradores antigos, segundo o ex-prefeito da cidade, Helberto Schwartz.

A prática - comum entre os obrajeros que dominavam a região - era usar a cobra pendurada como um marco de perigo e objeto decorativo. A partir de 1905 citações provam que o local passou a ser chamado de “pouso da Cascavel”. Mais tarde, houve ali um Quartel General dos rebeldes de 1924 e 1925.

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