No crepúsculo da Petrossauro, a ética da mobilidade na era do sol
Não há exércitos invadindo outras nações para capturar placas fotovoltaicas ou parques eólicos. Não é possível, pela força das armas, invadir o palácio de um ditador para saquear ou sequestrar o vento e o sol
Jairo Eduardo – editor do Pitoco
Entendamos isso: cada R$ 100 de gasolina que você colocar no tanque do seu carro, apenas R$ 35 serão de fato aproveitados para gerar torque nas rodas.
Significa dizer que a maior parte da energia contida no combustível é perdida, principalmente na forma de calor. Em cada 100 litros, 35 serão efetivamente funcionais. 70 a 75% da energia não chegam as rodas, mas alcançam os pulmões sapiens. A eficiência do sistema é ridícula.
5 x 1
Já os motores elétricos convertem em movimento entre 85 e 90% da energia. Para cada mil quilômetros rodados, um carro 1.0 a combustão gasta R$ 530 em gasolina. O equivalente elétrico, Dolphin Mini, rodando a mesma distância, irá gastar R$ 100, cinco vezes menos.
Talvez por essa razão nações civilizadas localizadas no Norte da Europa – onde a humanidade deu certo – como a Noruega, legaram o motor fumacento ao museu da história. 97,6% dos veículos novos comercializados lá em dezembro último são elétricos.
Curiosamente, a Noruega é um dos grandes produtores de petróleo. E utilizou o líquido sujo para limpar sua matriz energética, subsidiando a transição para a mobilidade elétrica. Alô, Petrossauro, apresente o “mapa do caminho”!
Óleo e sangue
O petróleo está concentrado em países instáveis politicamente. O óleo e a cobiça inerente desestabilizaram essas nações. Óleo e sangue se misturam. É a maldição do petróleo no Irã, Iraque, Venezuela e outros menos votados. Petróleo é sinônimo de ditadura e disputas ensanguentadas.
Já as energias renováveis e limpas que vão para o Dolphin meter 5 x 1 no carrinho popular pelado, podem ser produzidas em qualquer lugar do planeta, inclusive em nossos telhados. Não há países armados até os dentes invadindo outras nações para capturar placas fotovoltaicas ou parques eólicos. Não é possível, pela força das armas, invadir o palácio de um ditador para saquear ou sequestrar o vento e o sol.
Terra first
Cada um de nós pode contribuir na causa. Entre 43 e 46% do petróleo misturado com sangue extraído no planeta, vão ser transformados em gasolina.
Eletrificar a frota de carros de passeio desmonetiza ditadores e ditaduras. E estabelece uma regra universal para além de ambições autocráticas de quem se julga dono do mundo: no lugar do América First, o planeta terra em primeiro lugar.