Cascavel, Sexta-feira, 24 de novembro de 2017

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A cereja do bolo

“Me erra”, disse líder do Cascavel antes de chutar o complexo de vira-latas

O presidente do FC Cascavel disse,  na última quarta-feira durante o “Café com Pitoco”(foto), que a equipe estará no Campeonato Brasileiro. “A cidade precisa querer. Se a cidade quiser, estaremos lá”, sustentou Valdinei Antonio da Silva.
O evento, no Bourbon Hotel, também traduziu o que significa “Cascavel querer”.  Os dirigentes construíram um desenho inovador de financiamento e formatação jurídica. São dois CNPJs: um tem caráter associativo, que permite conveniar para atender adolescentes e jovens na base, além de obter recursos a partir de leis de incentivo.
A outra face é empresarial, uma S/A. Aqui entra forte o “Cascavel querer”. 89 empresários, profissionais liberais, funcionários públicos, quiseram contribuir com até R$ 3 mil mensais, adquirindo ações da S/A do futebol.
A meta é chegar a 250 acionistas e levantar R$ 10,6 milhões. Cinco escolinhas de futebol estarão funcionando no próximo ano na periferia de Cascavel. Hoje o FC Cascavel já enraizou a base. Atua em cinco categorias, sub 15, 17, 19, 23 e profissional.
Já são mais de 140 guris vestindo a camiseta amarela, de forma que toda semana, desde janeiro, tem jogo envolvendo o time. Em breve, o futsal também passará a exibir o escudo do FC Cascavel.
Cereja - Valdinei, “importado” de Lindoeste ainda menino, com 13 anos, foi morador da porção Norte de Cascavel quando a região abrigava os “retirantes” pobres que enxergavam uma esperança nas luzes da cidade.
Hiperativo, cresceu rápido. Hoje, embora jovem, é um dos empresários mais bem sucedidos de Cascavel. Presidiu a Acic e a Apae. Quer replicar o aprendizado das entidades no futebol.
Acredita, ele e seus conselheiros, que o futebol é apenas “a cereja do bolo”, de uma expressiva mudança de mentalidade social. E não cansa de citar o exemplo do efeito Chapecoense no município do Oeste catarinense.
“Antes do futebol, Chapecó tinha 1,6 mil leitos hoteleiros, hoje tem 2,6 mil. No acanhado aeroporto de antes, tinha um voo de turboélice. Hoje são três voos  de jato. Domingo sim, domingo não, acontece um evento equivalente ao Show Rural lá: é a Chapecoense jogando contra os grandes clubes do futebol brasileiro”, descreve o presidente do FC, sempre entusiasmado.
Pela filosofia da turma que comanda o Cascavel, o futebol tem o condão de elevar a autoestima de um município, e até de atacar chagas urbanas, como vandalismo, pichação e evasão escolar. “Maringá teve o Conselho de Desenvolvimento que a fez decolar. Chapecó decolou com o futebol. Cascavel prepara a decolagem com o Conselho e o futebol somados”, aposta o lindoestino. Que assim seja, fair play no futebol e na política.
Em tempo: Quando visitado pelo José Orildo Pasa, da rádio Colmeia e o deputado Evandro Roman, ano passado, e convidado a por a bola embaixo do braço e tocar o FC Cascavel, Valdinei disse: “me erra, deputado”.  Mediante a persistência dos visitantes, o empresário refletiu e pensou: “A cidade precisa enfrentar o complexo de vira-latas. Bola prá frente!”. Foi assim que o “me erra” se transformou em um acerto formidável.

Editorial

O arranjo produzido dentro do FC Cascavel é resultado do pensar coletivo de algumas das melhores cabeças da cidade. Ali não tem cartolagem. O presidente pode ser reconduzido apenas uma vez, e neste período, vai preparando um sucessor a altura. Todos com mandato eletivo tem assento automático entre os conselheiros: prefeito, vice, deputados, do PT ao PSDB. O formato vem de um longo aprendizado, extraído das principais entidades da cidade, e que permite impedir que o pensar pequeno, vaidades e intrigas desvirtuem o projeto. O FC Cascavel tem futuro, tem cara e estampa de campeão.