Comitês de campanha em Cascavel: de dentaduras a centros logísticos eleitorais
Comitês eleitorais de Cascavel deixaram de distribuir “dentaduras” e favores para eleitores, tornando‑se centros logísticos de material de campanha, com voluntários e profissionais, mas sem a presença massiva de votantes nas filas.
Leia a íntegra
Jairo Eduardo
Editor — Pitaco do Pitoco · 29 de setembro de 2026, às 12:12
Jornal da Manhã. Os pitacos do Pitoco com o jornalista Jairo Eduardo Jairo Eduardo bom dia seja bem-vindo o seu espetáculo de hoje bom dia bom dia bom dia Hélio nossos ouvintes saudações um abraço e pra todos vocês ontem eh pela manhã percorri alguns comitês eleitorais estabelecidos em Cascavel. E ali é aquilo que é quase sempre um barracão, onde está o pessoal full time aí na campanha, cabos eleitorais, gente contratada, gente voluntária, coordenação da campanha, não é? São assim essas estruturas desde sempre.
Mas ao visitar três comitês diferentes, eu notei uma diferença fundamental com relação a campanhas anteriores. Essas visitas, obviamente, se deram para que pudéssemos construir um texto, uma reportagem para o jornal, tentando mostrar aí o que muda, no fim das contas, em uma campanha, qual é o ambiente que encontramos, assim, na semana decisiva da eleição e como é que podemos traçar comparativos entre o que foi o processo eleitoral em outros tempos, temos aí quase quarenta anos de vivência nesse setor, não é?
E o que é hoje? Bom, primeiro é preciso dizer que nas eleições dos anos mil novecentos e oitenta, as décadas de oitenta, d de noventa e at ali no in dos anos 2000 era assim quase que um vale Tem uma passagem que aconteceu provavelmente no final da d de 80 a elei municipal a elei para prefeito Cascavel, muito acerrada, em que coordenador de campanha, gente contratada para isso, ia ao Paraguai comprar pererecas, dentaduras, não é? Mas era assim, de saco, era dentadura de saco, saco de 60 quilos, 60 quilos, aquilo vinha lotado de perereca, o porta-mala da viatura do sujeito, ou muitas vezes usava uma combosa, né?
Combi, entrega de supermercado e campanha eleitoral, não pode faltar nunca, né? Bom, aí trazia o saco de perereca pra dentro do comitê eleitoral, ali fazia-se filas, filas de desdentados, não é? Não falo isso com alegria, nem com ironia, porque de alguma forma você estava negociando o voto de uma pessoa sem dentes pelo direito de mastigar, né? Era isso, assim, foi para traduzir em uma frase só. Muita miséria no país naquela época. Nós somos ricos hoje, perto do que éramos trinta, três décadas, quatro décadas atrás.
E como é que se processava isso? Era assim, fazia uma fila de eleitores que estavam precisando ali de uma prótese dentária e o pessoal experimentava aquela sacolada que veio do Paraguai. experimentava na boca de um de outro a tinha ali um prot para dar uma lixada fazer uma ajeitada pra que a pr servisse no vivente ali no eleitor que estava sendo abduzido a votar, no candidato bonzinho que se dava o trabalho de pôr uma combosa na dois sete sete pra buscar as dentaduras que alguns chamavam de chapa, chapa.
Conhece essa expressão, Hélio Silva? chapa? Pois é, claro, claro não era assim que falava? era chapa, viu, vamos lá, eu vou no dentista fazer uma chapa é, então, e na época era assim que se falava antigamente, né meus pais relatam que não tinha muito isso de ficar obturando, recuperando o dente, não, não, não, não, não, não, não chegava lá no dentista, meu amigo, e aquele boticão aquele, é, aquele treco né, funcionava hoje a odontologia tá muito avançada, né, Jara? Mas antigamente, né, a única situação que tinha ah, tá caindo aqui, vamos tirar tudo e coloca a chapa.
Essa era a situação. O que mais trabalhava era o alicate do outro. E a anestesia, né? É, e quando tinha, quando a anestesia pegava, porque era outra tecnologia, né? Verdade. Já foi muito sofrido a saúde dental. E aí políticos se aproveitavam dessa miséria completa na periferia de Cascavel para em seus comitês fazer esse tipo de, digamos, atendimento. Mas ali se dava de tudo, era a cesta básica santificada, porque já ia um santinho junto, quebrava-se um galho ali na fatura da Copel, da Sanepar, era gasolina, enfim, era um vale tudo geral.
Na minha passada agora nos comitês, a gente percebe que isso tudo mudou muito, porque a legisla tamb mudou e tamb porque as pessoas est menos miser menos pobres isso ineg mas o que encontrei em um dos comit foi assim muito servidor público em férias fez a férias casar aí com a reta final da campanha eleitoral pra dar uma mãozinha lá de repente garantia ali a sequência na folha de pagamento da prefeitura servidores comissionados, outros voluntários, não vamos pôr todo mundo na mesma sacola de dentadura, que não é assim a vida que funciona.
Tem muita gente que vai voluntariamente porque realmente acredita numa causa, porque gosta do candidato, tem isso. Agora, o que eu menos encontrei nos comitês foi eleitor. Eleitor, que é justamente o sujeito que define uma eleição. Então, muito diferente daquilo que eu relatei de quatro décadas, três décadas atrás, que o eleitor fazia fila no comitê para ganhar alguma coisa, nos comitês de hoje não tem eleitor. Tem gente trabalhando para o candidato. Como eu disse, alguns contratados, outros voluntários, tem gente trabalhando e tem os coordenadores de campanha.
Então hoje, eu fecho a matéria no jornal, dizendo que hoje os comitês de campanha se transformaram muito mais em uma espécie de centro logístico de distribuição de material de um lugar para abrigar essas bandeirolas que a gente vê aí no calçadão em todas as ruas da cidade do que propriamente dito para atrair um eleitor que possa ser convencido a votar no candidato. Bom, é isso meu amigo mais informações estarão na edição do Pitoco desta semana. Combinado, Hélio? Combinado, Jairo. Para você uma excelente terça-feira e até amanhã. Combinado, a todos os ouvintes também, saúde, um abraço, até amanhã. Até amanhã.
Este é o Pitaco do Pitoco, a análise editorial diária de Jairo Eduardo.
