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Quem tem medo da amarela?

Até que ponto os gigantes das plataformas de e-commerce estão abalando a economia local e fechando lojas no centro da cidade?

Redação Pitoco19 de maio de 2026
Quem tem medo da amarela?

Marginal da BR 277, região do Autódromo. Vans amarelas manobram freneticamente às vésperas de uma das datas comerciais mais relevantes do ano: o Dia das Mães. Trata-se do centro de distribuição (CD) do Mercado Livre, CNPJ tipicamente “mercosulino”, nascido na Argentina, com sede no Uruguai, cuja massa majoritária de consumidores está no Brasil.

O barracão do Mercado Livre em Cascavel com seus quase 8 mil metros quadrados não chega a impressionar. Afinal suas dimensões representam menos de 10% do CD da empresa em Cajamar (SP), e seus 100 mil metros de área.

O que impressiona mesmo é a presença de “los hermanos” aqui “no interior do interior” e a capilaridade da operação. Já são mais de 20 CDs em território nacional. Não foi à toa que a revista “Time” incluiu a empresa entre as 100 mais influentes do planeta.

BOTÕES DO CELULAR

A frota de vans amarelas circulando pela Avenida Brasil faz a alegria do consumidor ansioso que apertou alguns botões na tela do celular e aguarda um badulaque eletrônico adquirido com desconto e frete zero.

Na outra ponta, as vorazes vans apavoram o comerciante local que busca um caminho capaz de conter perdas para as gigantescas plataformas de e-commerce. O fechamento recente, da loja BIG, na Carlos de Carvalho com Avenida Brasil levou empresários do entorno a especular: É mais uma loja tradicional de rua que não suportou o cerco das amarelas?

Talvez seja exagerado cravar assim. A mesma marca tem outras unidades na cidade, incluindo uma no Catuaí, e deixou uma faixa avisando que retorna em breve para a região. Mas todo portão que desce envia um sinal: aluguéis como aquele da BIG, que orbitam em torno de R$ 50 mil, associados ao cenário nacional de Selic nas alturas e dinheiro caro, torna a competição com as grandalhonas do e-commerce ainda mais complexa.

“RELACIONAMENTO”

Ouvido sobre o cerco dos “mercolinos” do Mercado Livre, chineses da Shopee e americanos da Amazon aos comerciantes da cidade, o presidente do Sindilojas, Alci Rotta Junior, reconhece uma mudança – talvez irreversível – das novas gerações em direção às compras online, mas põe um contraponto:

“Comprar no nosso comércio é injetar dinheiro na economia local, é disponibilidade imediata do produto, emprego e renda aqui”, disse Alci em recado aos consumidores. Aos lojistas ele recomenda uma aposta no relacionamento com os clientes, olho no olho, no corpo a corpo. “Também temos nossos diferenciais, precisamos potencializá-los”, disse o líder empresarial.

PITACO DO PITOCO

  • Onde há uma crise potencial, há também oportunidade. A demanda por barracões e CDs no entroncamento rodoviário de Cascavel é latente, grandes marcas nacionais e internacionais já estão em nosso entorno e outras chegando.

  • Empreendedores como Jadir Saraiva de Rezende enxergaram a possibilidade. Ele acaba de lançar um condomínio logístico ao lado aeroporto a pouco mais de R$ 900 o metro quadrado. Varejistas locais também desenvolvem e aperfeiçoam plataformas para vendas online.

  • Trata-se de uma variante da máxima: “não pode com o inimigo, alie-se a ele”, ou “copie e cole”, na hipótese que isso seja possível.

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