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Negócios eletrizantes

Popularização de veículos elétricos de estrada abrem novas possibilidades para empreender, como adquirir carros e alugá-los para motoristas de APP

Redação Pitoco11 de maio de 2026
Negócios eletrizantes

Carro novo, carga horária flexível, ar condicionado, som em sua playlist preferida, e até alguma conversa mais descontraída com algum passageiro bem humorado. E, conforme o número de horas investidas no negócio, uns R$ 5 mil mensais de remuneração. É a vida que muita gente pediu para Deus?

Se essa proposta um tanto romanceada pode ser sedutora para motoristas de aplicativo, é preciso acrescentar: zero de investimento inicial e o carrinho próprio dele poupado da intensa quilometragem que a profissão exige.

Trata-se de um novo filão explorado por capitalistas que enxergaram na popularização dos carros elétricos a possibilidade de levantar uma grana com aluguel. O inquilino rodante é o motorista de APP.

Funciona assim: o investidor adquire em seu CPF ou mesmo no CNPJ uma pequena frota, ou mesmo uma única unidade de um Dolphin Mini ou um Geely EX2, ambos elétricos de entrada. Aluga para o motorista de aplicativo por entre R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil por semana. Assina-se um contrato com inúmeras cláusulas. E tá feito o brique.

IRÁ SOBREVIVER?

A pergunta inevitável: pagando até R$ 6 mil de aluguel, o motorista irá sobreviver? A resposta mais óbvia, embora vulnerável ao crivo dos fatos: se não virasse, não haveria tanta gente nesse negócio.

Em Cascavel, somente uma empresa do segmento, a Bionova, acaba de adquirir 20 unidades de Dolphin e EX 2. Todos terão o mesmo rumo: aluguel para APP. Se alugar todos, terá uma receita bruta de R$ 120 mil mensais, fora a frota anterior, que já está operando. O investimento inicial na nova frota, se paga a vista, foi de mais de R$ 2,4 milhões. Bem administrado, em menos de três anos terá o payback.

A CONTA FECHA?

Encontrar a figura que investe e encontrar quem se disponha a pagar o aluguel é uma conta que somente pode fechar a partir do fenômeno da popularização dos elétricos. Um motorista que roda em alta intensidade (220 km/dia) com carro a combustão eficiente gasta R$ 3.520/mês entre combustível e manutenção.

Já o condutor de um elétrico na mesma carga horária e quilometragem gasta R$ 715,00. É essa diferença brutal que pode levar um motorista dedicado a trabalhar duas semanas para pagar aluguel e outras duas para faturar “limpo”, algo perto de R$ 5 mil.

Tá ruim assim? O capitalista selvagem diria: há outras alternativas na praça, como cortar frango de madrugada na geladeira de um frigorífico recebendo R$1,9 mil mensais. É pegar ou largar…

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