O drone mágico do repórter fotográfico Manoel Teixeira obteve essa imagem na tarde da última quarta-feira (24). É possível ver as primeiras torres de apartamentos em construção, imiscuídas com as torres de energia que darão nome à controversa avenida.
Um clássico supremo do cinema-catástrofe dos anos 1970, “Inferno na Torre”, relata o lançamento de um empreendimento imobiliário de 138 andares em São Francisco (EUA), o maior arranha céu do planeta.
Era só glamour até que um incêndio devastador transformou tudo em cinzas. Sucesso estrondoso de bilheteria e três oscars.
Que relação é possível fazer com outro empreendimento gigantesco de Cascavel em que as torres também são protagonistas? Por que diabos as dezenas de torres do Ecoparque Bairros Integrados, no eldorado imobiliário da cidade, a porção Oeste do município, não avançam no ritmo projetado pelos idealizadores do mais ambicioso projeto social privado da história?
O Pitoco apurou que há outras torres no caminho. No caso, uma nova “perna” da Avenida da Torres, via que transformou em um inferno o cronograma do empreendimento que vai para muito além de um teto para 4,5 mil famílias - provendo também um sofisticado projeto de educação, entre outras inovações.
R$ 2,2 BI EM JOGO
A pergunta é: a quem compete edificar a avenida das Torres? Embora haja pela menos meia dúzia de proprietários dotados de bolsos profundos beneficiados pela abertura da via, os boletos confluíram para uma única fonte: Francisco Simeão, o homem da fábrica de prédios do Ecoparque.
É que para obter o alvará da construção dos primeiros 2.280 apartamentos, ele precisava garantir que a avenida será construída. E ao assinar esse documento, dá uma bela justificava para que os demais beneficiários da região digam: - Você garantiu, agora você banca o “rolê”.
Não se trata de um impasse trivial. Resolver o “inferno das torres” destrava investimentos da ordem de R$ 2,2 bilhões no Ecoparque, e estanca uma sangria de R$ 1 milhão/mês em custos operacionais.
Simeão cogitou congelar o projeto em Cascavel e acelerar em Londrina e Maringá, onde as áreas já estão adquiridas e a burocracia roda mais fluída. “Entendo que o prefeito Renato está empenhado em resolver, mas não é justo que um empreendimento que está 200 metros fora dos limites da avenida da Torres tenha que bancar a obra sozinho”, disse.
Outro lado
O presidente do Instituto de Planejamento de Cascavel (IPC), Vinicius Boza assegura que em três semanas a questão estará resolvida. Para isso, ressalta Boza, Simeão terá que caucionar R$ 50 milhões, custo estimado da futura avenida das Torres. Ou seja, entre as chamas do inferno e a calmaria bucólica do paraíso, talvez Simeão tenha que admitir um oneroso passeio no purgatório.





