Cascavel, Terça-feira, 03 de agosto de 2021

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Página 13 - Nós, os maricas

O medo nos acompanha desde as cavernas escuras; machões de rede social, em grande medida, são maricões enrustidos
Postado em 20/12/2020

A questão é: quem tem medo do “Covidão” é maricas. Quem não tem é valente. Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína.

Vamos por partes: eu não tomaria cloroquina nem por recomendação médica. E também dis-penso a tubaína. Não me aprofundo na contro-vérsia porque tudo isso parece terraplanismo sa-nitário, uma brincadeira rasa, uma descontração meio tétrica, na linha “humor negro” - se é que ainda podemos usar essa expressão.

O ponto central é temer ou não o corona. Veja como estamos íntimos do vírus, até já encontramos uma contração para o trissílabo.

Isso de valentia me faz lembrar o mandrião que mora em um palácio, um castelo medieval com fosso infestado de crocodilos e muralhas instransponíveis e ainda assim dorme com um revólver embaixo do travesseiro (qualquer semelhança terá sido mera coincidência).

Me faz lembrar o valentão que emposta a voz, agride, insulta, profere discurso homofóbico, mas a noite se refugia dentro de um armário.

Conheço um sujeito “destemido” que, contaminado pelo fanatismo político, desprezou o vírus. Quando contraiu, “cortou prego” de larga bitola, orou para todos os santos, e pediu outra oportunidade para todas as divindades que co-nhecia. Afinal, quem tem c. (corona), tem medo!

Curado pela ciência, atribuiu o sucesso à pajelança dos curandeiros e voltou ao discurso anterior de valentão, já que agora, supostamente, está imune. Digamos assim, um valente de ocasião e circunstancial, um maricas enrustido, como muitos machões de rede social.

O medo é um bom conselheiro, desde que não nos paralise. Ele nos acompanha desde as caver-nas escuras habitadas pelos sapiens primitivos. Dizem até que o medo é mais eficaz na preser-vação dos dentes que a mais refinada tecnologia odontológica.

Há quem vá além: somente o medroso sobreviveu para passar seus DNA adiante, já que se recusou a explorar o fundo da caverna, onde estavam os monstros.

Para lá foram os corajosos, que nunca retornaram para contar o que viram. Medroso ou destemido, maricas ou valentão, tubaína ou cloroquina, seja qual for seu perfil, na dúvida, cuide-se. Boas festas e que 2021 o (a) receba com saúde em abundância.