Cascavel, Domingo, 25 de outubro de 2020

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O super vice!

Às vésperas da semana decisiva - quando os jogadores terão que por as cartas sobre a mesa - os holofotes se voltam para o “suplente” de Paranhos
Postado em 15/09/2020

Quem são os candidatos a prefeito de Cascavel? Na ante-sala das convenções partidárias, essa não é a pergunta mais importante. Por circunstâncias atípicas, a questão relevante mesmo é outra: quem será o vice do Paranhos? Vamos aos fatos para entender essa aparente inversão:

Significativa parcela do mundo da política não se move pelos belos olhos do candidato A ou B. Menos ainda pelo que ele representa (de bom ou ruim) para o futuro da cidade. Olha-se números - eventualmente algoritmos acompanhados de cifrões. Observa-se pesquisas. Quem tem mais possibilidades de vitória?

Perspectiva de poder é ativo forte no mundo das urnas. Até mesmo adversários admitem que Paranhos é favorito na disputa. Não quer dizer que vá manter o favoritismo, que vá ganhar a eleição, mas larga na frente. Qualquer aposta diferente disso seria dizer que Lewis Hamilton - que teve problemas em Monza - não estará no podium do próximo GP. Hamilton é Hamilton. E ele pilota uma Mercedes, o bólido mais veloz da temporada. Então, qualquer bobinho, iniciante na política, gostaria de ser o vice de Paranhos.

CENÁRIO FUTURO

Caso reeleito, Paranhos conclui o mandato? Se depender de um setor influente de seu grupo político, não. Querem vê-lo vice-governador do projeto reeleitoral de Ratinho Júnior, ou mesmo disputando uma cadeira no Senado em 2022.

O prefeito não parece muito convincente quando nega essa possibilidade. Seria um gesto de carreirismo, mas a proposta parece tentadora: o vice-governador de um eventual rato reeleito será governador do Paraná por pelo menos nove meses, sem prejuízo de disputar a cadeira mais almejada do Palácio Iguaçu, como fez Cida Borghetti. Ela perdeu a eleição, mas ganhou uma gorda aposentadoria com apenas 270 dias de tempo de serviço.

Caso Paranhos reeleito cumpra metade do mandato, sobra outra “metade inteira” para seu vice. Deu para entender por que esquentou a disputa pela vice do homem?

OS PRETENDENTES

Jorge Lange é o atual vice-prefeito. Alçado à presidência da Cohapar, Lange deixou a cadeira à disposição, embora tencione influenciar na escolha.Havia um grupo de pretendentes: Plinio Destro, Renato Silva e Nelsinho Padovani. Bem conversado, Juarez Berté também. A conversa afunilou. Destro parece ter refluído, e surgiu um favorito: Renato. Só há um problema: o cara que tem a palavra final permanece evasivo, não confirma, não refuta, muito pelo contrário.

A indefinição colocou outro personagem no cenário: o jornalista Alécio Spínola, presidente do Legislativo. Em tempo: de convenção partidária pode se esperar tudo, inclusive nada, ou seja, nenhum dos nomes aqui mencionados. Sempre pode haver um líder empresarial correndo por fora...

ELE É A ZEBRA?

O vereador corre por fora, mas não pode ser descartado. Em política o fator sorte jamais pode ser desprezado. Ninguém imaginava o líder do periférico bairro Paulo Godoy na presidência da Câmara. Lá está ele. E foi prefeito em exercício. Não há escândalos em sua gestão. E dentro das limitações impostas pelos acordos necessários para chegar onde chegou, dá para dizer que fez uma gestão decente no Legislativo.

QUEM É QUEM?

Sob o ponto de vista estritamente eleitoral (sem entrar no mérito qualitativo), confira as vantagens para o projeto reeleitoral representadas por cada um dos nomes que afunilaram na indicação de vice:

  • Alécio - É leal até a medula ao paranhismo. Risco de rompimento político com o chefe é zero. Sejam quais forem os novos voos do Leonaldo, Alecio estará subordinado ao projeto maior. Candidatos à vereança na chapa do PSC, onde está Alécio, também se associam a essa alternativa, já que teriam um forte concorrente fora da disputa.
  • Renato - Com trânsito no segmento empresarial, agrega setores antes vinculados ao ex-prefeito Edgar, adversário direto no pleito deste ano, como o ex-presidente da Câmara, Severino Folador, tido como hábil articulador, entre outros nomes influentes. Uniu pela primeira vez seu grupo empresarial na causa eleitoral e transita com desenvoltura no catolicismo.

Xô, satanás!

  • Quem será o vice de Paranhos? É a pergunta que irá frequentar as melhores convenções da próxima semana. Vale dizer que todos os cenários ao lado remetem para uma pergunta: combinaram com os eleitores?
  • No “pacote” que articula a vice já entrou até a cadeira do presidente da Câmara, legislatura 21/22. Nomes são acertados mesmo antes de submetidos ao crivo das urnas. O mundo do voto é assim mesmo, porém uma coisa é certa: Paranhos aparenta ter musculatura política suficiente para abster-se de acordos espúrios.
  • Espera-se que aprenda com a recente lição advinda do presidente nacional de sua sigla, o PSC. Pastor Everaldo, da ala “pessoas de bem”, está preso. Embora as comparações possam parecer inadequadas, é sempre um bom aviso: o pastor vendeu a alma ao diabo. Paranhos não precisa negociar com o capiroto e repetir a maldição do segundo mandato que se abateu sobre a maioria de seus antecessores no terceiro andar do Paço.