Cascavel, Segunda-feira, 10 de agosto de 2020

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Hotéis em transe

O novo normal na hotelaria também atende clientes com “mala na área” e segue rigorosa certificação sanitária internacional
Postado em 02/07/2020

A atriz Mariana Ximenes. O youtuber Whindersson. A cantora Anitta. Todos estão relacionados em uma das muitas estatísticas do Covid-19.

Não que tenham adoecido. Eles se separaram de seus pares durante a quarentena do isolamento social. É a epidemia do “perto demais”.

Na China, durante o cerco a Wuhan, o lockdown total fez crescer em 25% a separação de escovas de dentes (e seus donos) no “novo anormal” das alcovas.

Em outras palavras, em alguns casos, o tédio do isolamento pode terminar em malária, traduzida aqui por “mala na área”.

Malária se trata com cloroquina – como ademais, todas as moléstias da humanidade – mas o “mala na área” pede separações de corpos.

Um refúgio seguro e oportuno para essas ocasiões pode ser a rede hoteleira, reaberta em Cascavel com rigorosos protocolos sanitários. O Pitoco foi conhecer um destes espaços. No Hotel Ibis, da rede Accor (a maior do planeta), fomos recebidos pelo gerente Humberto Cordeiro.

A exemplo dos demais, o hotel permaneceu mais de 60 dias fechado. Uma semana antes de reabrir, o Ibis seguiu a rigorosa “cartilha” do novo normal: um calhamaço de quase 300 páginas elaborado por renomada consultoria internacional contratada pela Accor.

Devidamente certificado, o hotel surgiu com outra cara. “Foram quatro dias de intenso treinamento. A questão conceitual, que nos impedirá de voltar à rotina do antes, é: por que estamos adotando essas medidas?”, pergunta Humberto. Ele próprio responde: “para segurança dos hóspedes, de nossa equipe e da comunidade”.

Mudou muita coisa: toalhas já chegam da lavanderia embaladas em plástico. E clientes, uma vez hospedados, ficarão três dias sem contato físico com equipes de apoio, embora remotamente assistidos 24 horas por dia.

“Estragou um chuveiro? Problema com a televisão? O hóspede vai para outro apartamento devidamente higienizado”, explica Cordeiro.

Hóspede partiu? Apartamento ficará três dias isolado, é o tempo para que qualquer eventual agente infeccioso padeça naturalmente.

Aí entra a camareira certificada internacionalmente, vestida como uma astronauta: luvas, máscara, avental de manga com elástico no punho. Ela vai remover o enxoval para uma embalagem e deixar seu fardamento no quarto, que será recolhido a posterior. Exagero?

Tem mais: o café da manhã mudou para talvez nunca mais voltar ao mesmo formato. É servido em bandejas no quarto do hóspede, ou na área comum específica para tal finalidade, desde que resguardados os distanciamentos.

“Não se manipula mais alimentos. Servimos refeições pré-prontas , frutas inteiras no café. É uma bandeja muito bem servida, que permite repetir o prato e atendimento rápido”, garante Humberto.

Bic higienizada

  • Um jeito simples de explicar a adequação da rede hoteleira vem da caneta usada para preencher aquela guia padrão no check-in. Antes de entrar no hotel, a Bic é higienizada em uma estação de recepção de mercadorias. Segue em recipiente plástico fechado até a área da recepção. Uma vez em poder do hóspede, não volta mais para o hotel. Ficará de presente para o cliente.
  • Os mesmos cuidados são dirigidos a todo produto ou serviço. O motoboy do Ifood não entrega mais alimento no lobby do hotel. Há uma estação específica para as entregas. Até mesmo a comunicação visual foi alterada pela rede Accor e o som ambiente inclui mensagens educativas.

- Anitta entrou na estatística do Covid: “perto demais”

Hospital, não, hospitalidade

  • Como cumprir a certificação internacional e manter uma cara de hotel? É o desafio que Humberto Cordeiro e seu time aceitaram enfrentar. Não tem totem com álcool gel na entrada principal nem potes pendurados nas paredes.
  • O gel está disponível em todo lugar, mas elegantemente instalado em cantoneiras de vidro temperado. Sutilmente, mas de forma eficaz, as medidas sanitárias se harmonizam com o aconchego e conforto que a hotelaria precisa oferecer.
  • O Ibis é um hotel executivo. Apenas uma parcela de seus clientes vem do turismo. É o caso de grupos de motociclistas com destino ao Chile ou países do Mercosul e turistas a caminho de Foz do Iguaçu ou Guaíra. A maioria da clientela é composta de homens de negócio em busca de custo benefício. E isso o hotel oferece com segurança.
  • Mas também atende outras clientelas nos tempos insólitos que vivemos: “Precisa de um tempo no relacionamento, um momento de introspecção? Sanitizou, dedetizou a casa? Aqui dá para maratonar em dezenas de canais e wi-fi confiável e segurança”, diz Humberto.
  • São os novos papéis que a rede hoteleira recebeu na crise sanitária, incluindo o atendimento seguro a “mala na área”, “moléstia” tão antiga quanto o casamento. Certo Anitta, Whindersson e Mariana?