Cascavel, Sexta-feira, 10 de julho de 2020

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Debate - Como o Governo Federal desempenhou no combate à epidemia de Covid-19?

Postado em 24/06/2020

FOI MAL

Bolsonaro: a vitória da burrice

Paulo Porto Borges*


Recentemente, o Brasil se viu envolvido em um estranho e macabro “Fla-Flu” em relação à pandemia e suas medidas de contenção tomadas pelo governo federal. Porém, mais do que um simples conflito ideológico, mais do que um debate entre “esquerda” e “direita”, está em jogo a velha e histórica disputa entre a ciência e o obscurantismo.

Nestes meses de combate à Covid-19, o governo Bolsonaro optou por três respostas básicas, todas elas ineficazes e demagógicas, em relação à pandemia: em um primeiro momento, o negacionismo (“é apenas uma gripezinha”); em um segundo momento, o oportunismo político (“é um vírus chinês para acabar com a economia ocidental”); e agora a afirmação de que “todos vamos morrer um dia”.

Esta confusão de sinais do governo central terminou por colocar o Brasil em uma situação ímpar no mundo, pois somos o único país a trocar duas vezes o Ministro da Saúde durante a pandemia, a menosprezar todas as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e a preconizar o uso de cloroquina em massa em sua população, o que nos rendeu uma inédita situação de pária mundial, a ponto de os países vizinhos fecharem suas fronteiras por entenderem que o Brasil simplesmente nega, não combate e naturaliza a crise sanitária e a morte de mais de 44 mil brasileiras e brasileiros.

Esta postura do governo Bolsonaro tem levado lideranças em todo o Brasil e em Cascavel a afirmarem que o combate ao vírus é uma simples questão de coragem, e que “devemos enfrentá-lo nas ruas”, como se ele fosse algo a ser abatido a tiros. É claro que o vírus não se incomoda com esta bravata miliciana, e os números dos óbitos seguem se acumulando.

Entretanto, à margem dos argumentos demagógicos, obscurantistas e oportunistas de Bolsonaro, os defensores de seus métodos se apegam a um último recurso, que se traduz no dilema “a bolsa ou a vida”, isto é, que se adotássemos o isolamento social radicalizado como preconiza a OMS a partir de restrições governamentais a atividades comerciais e produtivas, o Brasil entraria em um colapso de empregos e de renda, e as pessoas morreriam mais de fome do que do vírus.

A verdade é que não precisa ir muito longe para percebermos a fragilidade deste derradeiro argumento, basta olharmos para a nossa vizinha Argentina. Lá, o presidente Alberto Fernández optou por um profundo isolamento social acompanhado por um radical fortalecimento de políticas púbicas de apoio aos trabalhadores e às empresas, para que estas, mesmo fechadas, sobrevivam à crise sanitária e mantenham os empregos e os salários dos trabalhadores. Não por acaso que, por lá, Alberto se encontra com 92% de aprovação e já prepara seu país para a retomada do crescimento econômico. Lá, ao contrário daqui, a burrice não venceu.

Enfim, no Brasil, a disputa não se dá no campo ideológico entre esquerda e direita (inclusive em respeito à própria direita, que está longe de ser burra), mas entre a ciência e a estultice.


*O autor é professor da Unioeste, vereador em Cascavel e pré-candidato a prefeito

 

FOI BEM

O Brasil se levantará

Washington Lee Abe*


O governo Bolsonaro tem enfrentado a crise causada pela politicagem do Covid-19 com galhardia. Muito mais que infectar as pessoas, o coronavírus infectou o discurso daqueles que querem acabar com a retomada moral que o Brasil vinha tendo. O vírus existe? Claro que sim e somente enfrentando essa guerra invisível de pé e não escondidos em casa é que sairemos dessa.

Em questão de números, fica fácil analisarmos todo empenho do Governo Federal. Foram R$ 404,2 bilhões para o enfrentamento à crise. Em meio à crise econômica gerada pelo medo nos discursos de ódio de quem quer ver o Brasil no caos, a União lançou o Fundo Garantidor de Operações (FGO), com recursos do Tesouro Nacional no valor de R$ 15,9 bilhões, que irá avalizar empréstimos para micro e pequenas empresas no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.

Outro apoio direto ao cidadão, foi o Auxílio Emergencial que destina de R$ 600 a R$ 1.200 para quem foi afetado diretamente, ou mesmo demitido, depois da imposição ditatorial de Estados e Municípios no fechamento do comércio.

Depois do auxílio emergencial a maior despesa do total destinado é com a linha de crédito criada para financiar a folha salarial de pequenas e médias empresas. Foram até agora R$ 34 bilhões para que as empresas não demitam mais seus funcionários. Para termos ideia, dos R$ 5 bilhões reservados para o financiamento da infraestrutura turística nacional, R$ 379,1 milhões foram destinados.

Será que o problema é do governo Bolsonaro? Ou será que a crise está no discurso de quem por mais de uma década e meia pregou o caos para vender “soluções” para um povo que não aguenta mais esses discursos repetidos de um ódio reprimido?


*O autor é coronel da reserva da Polícia Militar e deputado estadual

 

Fala Porto

“Afirmam que o combate ao vírus é uma simples questão de coragem, e que ‘devemos enfrentálo nas ruas’, como se fosse algo a ser abatido a tiros. É claro que o vírus não se incomoda com bravata miliciana, e os óbitos seguem se acumulando.”

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Fala Lee

“O governo Bolsonaro tem enfrentado a crise causada pela politicagem do Covid-19 com galhardia. Muito mais que infectar as pessoas, o coronavírus infectou o discurso daqueles que querem acabar com a retomada moral que o Brasil vinha tendo.”