Cascavel, Sexta-feira, 10 de julho de 2020

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A quem interessa a instabilidade?

Alinhamento com radicais da política produz a tempestade perfeita para mais uma década perdida
Postado em 09/06/2020

A epidemia produziu uma aliança saudável na Argentina. Adversários históricos, quase seculares, aceitaram uma trégua sugerida pelo presidente Alberto Fernándes, esqueceram temporariamente as divergências e a disputa pelo poder para atacar o inimigo em comum.

Foi um pacto tão fechado que inibiu naturais rebeliões de confinados. Sim, a economia vai pagar um preço elevado. Mas isso estava precificado. Afinal, quem abriu ou fechou, quem fez isolamento vertical, horizontal ou diagonal, tanto faz, também teve danos severos na economia. A diferença fundamental é que os mais disciplinados, guiados pelo consenso, pelo bom senso, e pela ciência, pouparam vidas e tendem a sair mais rápido da crise sanitária, abrindo avenidas para a retomada econômica.

Quem fez meia bomba como o Brasil da Torre de Babel, não fez um nem outro. Perdeu e vai perder mais vidas e chegará atrasado na retomada, com consequências imprevisíveis. Há 89 brasileiros em óbito pelo Covid para cada grupo de 1 milhão de habitantes. Na Argentina, dez vezes menos: 8,7 para cada milhão.

Brasília não produz entendimento. Acerto só com o “Centrão”, composto majoritariamente de inimigos da nação. Brasília produz o confronto. E o faz, porque tem respaldo em áreas influentes da sociedade, notadamente no meio empresarial. Incapaz de produzir um consenso mínimo, o Brasil afugenta investimentos e envenena o ambiente de negócios.

Impressionante (com duplo S, ministro da Educação) que homens do business, sabedores da necessidade de estabilidade política para replicá-la na economia, agem com o galão de gasolina nas mãos. Até o “Posto Ipiranga” já alertou para os danos econômicos gerados pela instabilidade política.

Os radicais não precisam de estímulo para a violência. Mas, se estimulados por uma parcela da opinião pública, eles incendeiam um país. As vozes ponderadas precisam se fazer ouvir. Não dê plateia para maluco dançar. Não respalde e não compartilhe posições políticas extremadas. Nesse embate esquizofrênico do “olho por olho, dente por dente”, todos terminaremos cegos e desdentados.