Cascavel, Quarta-feira, 30 de setembro de 2020

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O guri de Lindoeste

De morador do Periollo a empreendedor líder em 19 operações distintas, Valdinei Antonio da Silva é o coração da serpente
Postado em 14/02/2020

Quem via aquele menino migrando de Lindoeste para Cascavel não podia imaginar em quem ele se tornaria. De família humilde, Valdinei Antonio da Silva foi morar onde as moradas eram mais em conta naquele ponto poeirento do mapa nos anos 1980: a região Norte de Cascavel, no bairro Periollo.

Curiosamente – ou não – é ali que, mais de três décadas depois, ele e sócios irão edificar o maior condomínio vertical da cidade, com cerca de 700 unidades. Valdinei não aceita ser apresentado desta forma. Mas a verdade é que ele tem muito mérito na transformação do futebol cascavelense.

A ideia inicial desta reportagem era fotografá-lo com a diretoria executiva na serpente do Ecoparque Oeste. Valdinei resistiu. “Não somos nós quem deve aparecer”, disse. Após alguma insistência, ele aceitou conceder a seguinte entrevista às 7h30 da manhã em um de seus 19 CNPJs, a Dinâmica Seguros. Acompanhe:

Pitoco - Como começou a história de “ressuscitar” o futebol profissional de Cascavel?

Valdinei - Cinco anos atrás o Roman (deputado) e o Pasa (Colméia) vieram até minha residência. Trouxeram uma ideia. Ali, na raiz, eles já tinham cortado alguns vícios do futebol. Me convidaram para liderar o processo. Aceitei.

O início foi frustrante...

Foi mesmo, mas era uma fase importante, que precisava ser superada. Digo que vivemos uma curva de aprendizado. Aprendemos com nossos erros. Até então tínhamos um título dividido nos anos 1990. Depois nunca mais ganhamos nada.

Havia um entrelaçamento de futebol com política. O segredo do FC Cascavel foi romper com isso?

A política está em tudo em nossa vida. Mas não podemos ocupar um lugar no clube para nos projetarmos neste campo. Futebol é paixão, cego é aquele que só enxerga a bola. O que mais temos a oferecer à cidade? O FC Cascavel participou da campanha do agasalho. Obtivemos 10 mil peças. Entramos na campanha do quilo. Juntamos 35 toneladas de alimentos. Colocamos em nosso grupo um desafio para distribuir bolas para a garotada da periferia. Em duas horas tínhamos 22 mil bolas...

Ou seja, envolver-se com as causas da comunidade...

Ajudamos hoje duas escolinhas de futebol na periferia e colaboramos com um projeto que matricula crianças das áreas mais pobres da cidade nas escolas de elite de Cascavel. Entendemos futebol como uma ferramenta de desenvolvimento do município.

Como vender camisetas oficiais a menos de R$ 30?

O patrocinador subsidia uma parte. Importamos o tecido direto, sem atravessadores. Costuramos no Paraguai, usufruindo da lei da maquila. Finalizamos em Palotina, nossa margem é zero. A ideia é pintar a cidade de amarelo. Temos mais de 60 mil camisas por aí...

Patrocinadores felizes...

O amigo Luciano Hang investe, sei lá, uns R$ 4 milhões no Furacão, R$ 3 milhões na Chapecoense, R$ 1,5 milhão no Brusque e R$ 500 mil no FC Cascavel. Mas a camisa que estava dentro do armário do presidente da República em 1º de janeiro era a do FC Cascavel. Nosso time de marketing chegou primeiro...

O poder econômico dos associados do FC Cascavel explica a ascensão do time?

Fala-se que quando você não tem dinheiro até o rastro é feio. Temos o mínimo necessário. Um bom centro de treinamento, segurança para a equipe, todos sabem que no dia 10 o salário estará na conta e oferecemos condições adequadas de trabalho.

Planos para o futuro?

Queremos a Libertadores da América. Fizemos 50 visitas técnicas pelo mundo afora com uma pergunta: “o que deu certo aqui?”. Estamos fechando dois patrocinadores de fora do Brasil. Será uma inovação imensa. Aguardem.

Com toda essa projeção do mundo da bola, o presidente do FC Cascavel será candidato a cargo eletivo?

De momento, não. Estou muito feliz em meu emprego.