Cascavel, Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

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O Totó subiu no telhado

Novos lançamentos imobiliários levam em conta o “rádio-corretor”; prédio na Souza Naves tira o milionário da cobertura e põe o cachorrinho do 1º andar no terraço
Postado em 06/11/2019

“Rádio-peão” é aquela notícia que vinha de boca em boca, nos tempos pré-zap zap. “Rádio-corretor” é o veículo de comunicação que embasou a equipe de marketing e diretoria de uma construtora de Cascavel para dar a modelagem final de um novo empreendimento, o edifício Isaac Newton.

O espigão começa a subir no primeiro trimestre de 2020 na Souza Naves, perto de um vovô da verticalização da cidade, o edifício Lince, e quase na frente do lendário “treme-treme”, o Cruzeiro do Sul.

Olhando para o mercado, o diretor da construtora, engenheiro Jadir Saraiva de Rezende, decidiu remodelar o negócio desde as fundações: fechou a imobiliária do grupo e abriu seus empreendimentos para centenas de corretores.

O conceito (com permissão do Oscar Beck de Souza) é simples: construtor é construtor, imobiliária é imobiliária, banco é banco. O corretor não vê mais a construtora como concorrente e passa a ofertar e até pagar mídia para divulgar produtos de quem antes disputava mercado.

O “rádio-corretor” vai além. Horas e mais horas de conversas com os corretores antecederam as linhas finais do Isaac Newton. A ideia era saber lá na ponta do sistema, respostas para perguntas que valem milhões: o que passa na cabeça do consumidor final em uma cidade com um estoque a venda de 6 mil apartamentos?

Após muita paciência e exercício de escuta, houve flexibilidade para mudar o projeto inicial radicalmente. Começando pelo desenho. Sabe aquele layout tradicional, talvez inspirado no “Carandiru” da rodoviária velha? Esse pulou.

Sabe a cobertura, aquela área nobre, reservada para o milionário embalado pela percepção de que o céu é o limite? Pois é, o ponto mais elevado do prédio veio para o Totó e para a felpuda Mel. A área de lazer foi promovida para o alto. No terraço, espaço para passear com o amigo de quatro patas, academia, salão de festas, tudo lá em cima, disponível para todos os moradores, e não apenas para o mais endinheirado entre eles.

 

Desapego do motor

  • A qual geração pertence o apego ao carro? À nossa geração. Nenhuma garantia há que isso vai perpassar para nossos sucessores lá no prédio da Souza Naves. Entre edificar 40 apartamentos para ter duas vagas na garagem ou 75 unidades para dividir os custos de condomínio e uma vaga para o carro, optou-se pela segunda.

 

  • O raciocínio que veio do “rádio-corretor” é assim: imóvel está no centro. Em um raio de 3 quilômetros a cidade oferece tudo. Dá para ir a pé, de patinete elétrico ou bike. O carro não é mais um item de primeira necessidade das novas gerações em tempos de Uber.

 

  • Mas se o apego prevalece, existe a possibilidade do duplicador, que empilha uma viatura da família sobre a outra na mesma vaga. Afora o Totó que subiu no telhado, há tecnologia embutida: piso aquecido, senha nas portas, eletroposto para carro elétrico, coworking...

 

  • Para onde vão os prédios no espigão de Cascavel? Difícil responder rápido. Mas na Souza Naves é fácil dizer para onde foi o Totó. Ele subiu no telhado.
    Em tempo: rádio-corretor funciona? Fontes do mercado garantem que quase 40% do Isaac Newton, disponível a partir de R$ 299 mil, estão encomendados. O investimento da construtora é de R$ 20 milhões e o valor geral de venda (VGV), de R$ 32 milhões.