Cascavel, Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

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Tiro pela culatra da pistola

Sem radar móvel, cresce exponencialmente a gravidade dos acidentes nas rodovias federais da região de Cascavel
Postado em 08/10/2019

 

Quem assistiu os telejornais da última segunda-feira, viu imagens obtidas por câmeras instaladas em rodovias de São Paulo, em que carros apareciam literalmente voando sobre canteiros para atingir veículos que vinham em outro sentido: foram 18 mortos naquele fim de semana. Em comum em todos os casos, as velocidades absurdas, os pés enterrados no acelerador.

A reportagem do Pitoco estudou um mês de estatísticas nas rodovias da região Oeste do Paraná e suas franjas. Foram analisados os 30 dias que precederam a subtração das pistolas das mãos dos policiais rodoviários federais, entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2019, em uma extensão total de 800 quilômetros de rodovias aos cuidados da inspetoria da PRF sediada em Cascavel. A comparação foi feita com igual período do ano passado, quando os radares móveis e fios estavam em ação. A diferença é brutal, em vários sentidos da palavra.

Embora o número de acidentes não tenha crescido signifiativamente (de 63 em 2018 para 67 este ano), a gravidade, sim, aumentou consideravelmente.Foram 100 feridos e 7 mortos no mês estudado deste ano, contra 76 feridos no ano anterior, aumento de 31%. Há uma explicação lógica e rápida para o acréscimo: a velocidade liberada.

“Já havíamos alertado em nota oficial antes da retirada dos radares...a suspensão da fiscalização com uso dos radares foi uma atitude extremamente temerária, e que não levou em consideração o impacto sobre o bem mais precioso a todos nós: a vida humana”, disse ao Pitoco o patrulheiro Raphael Casotti, da Federação dos Policiais Rodoviários Federais.

As palavras do policial parecem ainda mais lúcidas quando observados os números das rodovias estaduais da região Oeste, onde a ficalização por radares móveis permanece operante.

Onde tem o policial com a pistolinha do radar na mão, os números são exatamente o inverso. Levantamento realizado a pedido do Pitoco pelo capitão Tatibana, da  Policia Rodoviária Estadual, considerando exatamente os períodos comparados acima, mostra uma redução de 10% nos acidentes e de 40% no número de feridos nas estradas estaduais ficalizadas.

O governo não renovou nem substituiu contratos para 2.811 radares fios nas rodovias federais. Sobraram somente 439 equipamentos permanentes nas estradas geridas pelo DNIT, que representam 90% da malha rodoviária federal. Em agosto, também foi suspenso o uso de 299 radares portáteis da Polícia Rodoviária Federal.