Cascavel, Quinta-feira, 18 de julho de 2019

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Cercas que vem, cercas que vão

Donald Trump, Drummond e o papa Chico versam sobre as cercanias da Catedral
Postado em 04/07/2019

Lindonez Rizzotto era secretário de Meio Ambiente do então prefeito Jacy Scanagatta nos anos 70. Foi a dupla que trouxe a controversa legustre, majoritária na arborização urbana de Cascavel, árvore “acusada” de implodir calçadas.

Certa ocasião, relata Rizzotto, os padres implicaram com o ajardinamento em frente à mais nobre das quadras, a da Catedral. A “bronca” era com os mendigos e meliantes que, segundo os sacerdotes, se utilizavam da área verde para peraltices.

“Por que então vocês não abrigam os mendigos dentro da igreja durante a noite?”, sugeriu Rizotto na ocasião.

Se o bispo da época fosse o argentino Jorge Mario Bergoglio, a sugestão estaria acatada de pronto.

Anos mais tarde, a força do clero se fez valer e a quadra da igreja transformou-se em um deserto, com a remoção das palmeiras jerivás e outras plantas ornamentais.

Agora a área voltou a noticiário. Dom Mauro mandou cercar as laterais da catedral. Antes dele, também dividindo opiniões, o prefeito Paranhos havia cercado os “pontões” de ônibus no centro para forçar a patuleia a usar as faixas de pedestres.

As cercas estão de volta. “Os padres que me desculpem, estão matando nosso principal monumento, tá muito ruim”, opina o arquiteto e urbanista Nestor Dalmina, ex-secretário de Planejamento, em raríssimo desalinhamento ideológico com o bispo.

Notificações do MP:

- Ouvido pela CATVE, o arcebispo Mauro Aparecido dos Santos disse que as cercas atendem notificações do Ministério Público, já que veículos e até caminhões se utilizavam do espaço e danificavam as calçadas, expondo os pedestres a acidentes. “As pessoas acham que aquilo é espaço público”, queixa-se o bispo.

- Vira e mexe, as cercas surgem no noticiário. Elas apareceram e desapareceram da Praça Wilson Jofre. Vieram e sumiram do entorno do Palácio Iguaçu, em Curitiba.

- Cascavel, ao que parece, enfrenta seu período trumpista, aquele sujeito que se elegeu fechando portas e prometendo muros.

- Disse um enigmático Carlos Drummond de Andrade sobre o tema: “Em vão me tento explicar, os muros são surdos... sob a pele das palavras há cifras e códigos...”