Cascavel, Domingo, 25 de agosto de 2019

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Imobiliária Cascavel II

O tríplex do Cancelli; 16 mil metros no Pioneiros, especulação no Lago, R$ 210 milhões na “capoeira”
Postado em 03/06/2019

Era um simpático terreno baldio em forma de triângulo no bairro Cancelli. Bem localizado, pertinho de onde em breve seria edificado um condomínio de luxo e um supermercado, hoje conclusos. Dali a pouco, o baldio virou um belo tríplex construído sobre o terreno da Prefeitura de Cascavel.

“Do outro lado da cidade...”, como cantavam Menin & Gaspar, surge o imóvel da foto desta edição: 16 mil metros. Veio do desmembramento de um “lotefúndio” no Pioneiros Catarinenses, lugar que rapidamente se transformou em aprazível área residencial.

Conforme prevê a legislação, uma quadra e meia do Pioneiros foi designada para utilidade pública, ou seja, para a Prefeitura. Mas o imóvel não foi transferido ao município. Nos anos 90, o construtor que desmembrou a gleba se apertou com um fornecedor de concreto. E mediante uma penhora judicialdeu o lote da Prefeitura em garantia.

Um juiz barriga verde de Camboriú pôs a leilão o terreno do povo de Cascavel para pagar a conta do empreiteiro com o concreteiro. Um terceiro, possivelmente de boa fé, arrematou por divulgados R$ 345 mil em 2010. E já vendeu para um quarto.

O terrenão da Prefeitura no Pioneiros, transacionado por particulares, está avaliado em mais de R$ 9 milhões. E faz parte de um emaranhado de fios desencapados em que ninguém quer pôr a mão.

Estima-se que haja pelo menos 300 terrenos em situação semelhante. Um pelo outro, mesmo considerando a era do gelo do mercado imobiliário, são mais de R$ 200 milhões em patrimônio criando aedes e quero- -quero, ou comercializados por espertos de boa e má fé. Alguns deles estão na região do Lago, só aguardando o Catuaí subir para dobrar a cotação.

A bagunça vem desde os anos 60. Mas a paralisia atravessou todas as décadas, até os dias atuais. Somente agora, após a reportagem “Imobiliária Cascavel”, publicada aqui em abril último, barnabés pautaram o assunto, mas não se sabe nem por onde começar, tamanha a “balbúrdia”.

Vale enfatizar: embora tenha centenas de imóveis em nome de terceiros, a Prefeitura paga R$ 483 mil por mês de aluguéis – R$ 5,7 milhões ao ano.

Editorial

Há décadas a Prefeitura vem lançando carnês de IPTU sobre seus próprios terrenos! Há décadas a Prefeitura vem emitindo guias para recolhimento de ITBI de transações que estão comercializando os terrenos públicos em negociações privadas, ou seja, consentindo no papel que terceiros de boa ou má fé vendam áreas do município! É absolutamente inacreditável.