Cascavel, Quarta-feira, 19 de junho de 2019

Leia mais

Plim-plim para prefeito!

Emissora líder empareda políticos e concede sete segundos para solução instantânea
Postado em 28/05/2019

Manhã do último domingo na Feira do Teatro: Alguém brinca com a aparente perda de peso do prefeito. E ele vai no embalo: “Põe uma RPC nas suas costas para ver se não emagrece”. Paranhos se referia a uma modalidade de jornalismo que a Globo passou a enfatizar no Paraná.

Não é muito original. Desde os áureos tempos da dupla Donizetti Adalto/Carlos Moraes, na segunda metade dos anos 80, o tal “jornalismo de resultados”, entre altas e baixas, está em voga. Consiste, basicamente, em pinçar um reclame do cidadão, pôr no ar a reportagem, e na sequência escrutinar ao vivo a autoridade do setor para dar solução imediata.

Pode-se até dizer que é a mídia tradicional se reinventando em tempos de futilidades revestidas de jornalismo no zap-zap. Mas é preciso admitir que os ecléticos âncoras Valdinei Rodrigues e Adriana Calicchio estão no seu papel. E o fazem muito bem.

Questão 1) Os gestores devem largar tudo para atender emergencialmente uma pauta imposta pela imprensa? 2) Quando, para roçar a capoeira apontada pelo Valdinei no Riviera, deslocamos equipes que estavam atuando dentro de um cronograma no outro lado da cidade, estamos furando a fila? Estamos atuando dentro dos princípios da boa gestão? A propósito: há um cronograma?

Na semana passada, no telejornal “Meio Dia”, da RPC, Paranhos foi emparedado ao vivo: Levou, em menos de dois minutos, seis prensas de irados telespectadores com 7 a 15 segundos para cada solução instantânea. E não adianta choramingar. Ninguém disse para ele que seria fácil.

O antecessor, Edgar Bueno, não faria mesuras com o “plim-plim” da Globo. Mas com a emissora dos Muffatinhos, sim. Como está em voga dizer: ideologias de signos trocados não deixam de ser ideologias.

E assim será: enquanto houver uma lâmpada apagada, uma moita de mamona ou um estresse na UBS, haverá um carro de reportagem “patrulhando” a cidade.

Em tempo: inocentes acreditam que vão matar a influência da Globo lacrando os cofres no Planalto. Engano 1: de cada R$ 100 que a emissora fatura no mercado publicitário, apenas R$ 4 reais vem de Brasília. Engano 2: o Planalto não vai fechar os cofres para os Marinhos.