Cascavel, Terça-feira, 26 de março de 2019

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Engenharia de mãe para filha

Ivete e Larissa Dillenburg Giovanella: laços de sangue que constroem relação sólida e obras dentro da engenharia civil
Postado em 07/03/2019

Que a mulher já conquistou seu espaço na sociedade e no trabalho é fato. Chega a ser “lugar comum” falarmos disso. A questão agora é como ela leva adiante e até mesmo estabelece suas próprias conquistas na vida de uma filha, por exemplo. O dia 8 de março não comemora somente o Dia Internacional da Mulher, mas o que essa data significa de fato como espaço consolidado à mulher e ao respeito, acima de tudo, conquistado.

Ivete Dillenburg Giovanella, a mãe, e Larissa são engenheiras em Cascavel, com atuação no Oeste paranaense. A relação transpassa os laços consanguíneos, e se firma com o companheirismo de trabalho. “Minha primeira formação é na engenharia agrícola, em 1987, mas sempre atuei na área urbana. Então, em 2003 me formei engenheira civil. Minha paixão é construir o sonho das pessoas, fazer projetos de vida. Porque construir uma casa é a realização de um sonho e agora, quando olho para o lado e vejo a Larissa, meu coração se enche de orgulho por ela fazer parte disso também”, relata Ivete, com a voz de quem está empolgada. “Desde pequenina ela sempre esteve comigo, me vendo trabalhar. É um orgulho ver a mulher forte que ela se transformou dentro da engenharia”, continua a
mãe.

Larissa, por sua vez, fala de como é ter uma “professora” quase que em tempo integral. “É excelente ter a mãe engenheira, pois ela quase sempre tinha as respostas, não só para as questões pessoais, mas para as minhas dúvidas de Engenharia”, argumenta. “Mas a cobrança também é maior, com um professor te ensinando quase que todos os dias. Por isso não é aceitável cometer erros”, revela.

Existe “machismo”?

E como fica qualquer assédio num canteiro de obras, visto o possível “machismo” que possa existir no setor de construção civil? “Ah, isso para mim não existe, uma vez que eu imponho respeito. Eu respeito e exijo respeito. Como em tudo na vida, temos que respeitar os outros para sermos respeitados. Penso que a competência é fundamental, independente do sexo ou gênero”, ensina Ivete. “Concordo. Posso dizer que enquanto eu ainda não era formada e acompanhava minha mãe nas obras, nunca tive a percepção de uma diferença no tratamento com os trabalhadores por ser mulher. Talvez porque, na época em que eu estive junto, os trabalhadores já estavam acostumados com uma figura feminina. Mas após me formar, dentre várias equipes diferentes com que acompanhei os serviços, aconteceu somente uma vez em que percebi um pouco rispidez do responsável pela obra quando eu cheguei, no primeiro dia, no sentido de achar que por ser nova, recém-formada e mulher. Mas que logo depois tudo ficou tranquilo e o comportamento dele mudou totalmente. Nunca mais aconteceu”, testemunha Larissa.

Crescimento
Enedina Alves Marques, natural de Curitiba, foi a primeira negra no Brasil a se formar em engenharia e a primeira mulher a ter essa graduação no Paraná. Ela  graduou-se engenheira civil em 1945. Desde então, o número de mulheres nesse setor só cresceu. Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), o número de engenheiras vem crescendo gradativamente no Estado e isso reflete nas regionais da autarquia. Se em 2010 o Paraná tinha 7.768 profissionais em várias modalidades de Engenharia registradas ao Crea-PR, em 2015 esse número já registrava 10.487 profissionais, chegando a 11.560 no final do ano de 2018, um crescimento de cerca de 50% em oito anos.
Já no Oeste Paranaense, esse número também apresentou um crescimento gradativo em número de mulheres registradas à Regional de Cascavel. Em 2010 esse número era de 590 profissionais, alcançando 867 em 2015 efechando o ano de 2018 com 1.182 profissionais, o que significa que esse número mais que dobrou em quase uma década.

“O mercado de trabalho vem aceitando a cada dia melhor a presença da mulher na engenharia, isso é fruto de sua competência, da qualificação e da sua liderança, com isso elas seguem produzindo resultados e efeitos positivos naquilo que elas se propõe a realizar na engenharia”, avalia o engenheiro civil Geraldo Canci, gerente da regional do Crea-PR em Cascavel.
Desde o início de 2017, o Crea-PR conta com o Comitê Mulheres, que objetiva fomentar o aumento da participação feminina nas decisões e em tudo que envolve o sistema Confea/Crea e as profissões da engenharia, agronomia e geociências.


Sobre o Crea-PR
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), criado no ano de 1934, é uma autarquia responsável pela regulamentação e fiscalização dos profissionais da empresa das áreas da engenharias, agronomias e geociências. Além de regulamentar e fiscalizar, o Crea-PR também promove ações de atualização e valorização profissional por meio de termos de fomentos disponibilizados via Editais de Chamamento.