Cascavel, Terça-feira, 26 de março de 2019

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A indústria da formatura

A felicidade de concluir uma graduação é o combustível para mover a máquina de um dos segmentos mais vibrantes da economia de Cascavel
Postado em 25/02/2019

Longe dos grandes barracões e da fumaça, há um tipo de indústria que não precisa das chaminés para movimentar cifrões. Os operários envolvidos são incontáveis e estão espalhados por todos os lados em diferentes segmentos; já o público-alvo está numa sala de aula pensando na futura profissão, enquanto alguém cuida do check list: salão de festa, buffet, banda, decoração, drinques e todos os “etceteras” que fazem parte do mercado das formaturas. Há um complexo e detalhado universo que entrelaça diversas áreas para a mesma finalidade: fazer milhares de estudantes darem o grito de #formou na melhor festa de suas vidas.

Com a expansão dos cursos de ensino superior, esse mercado teve uma explosão de procura nos últimos anos. Basta abrir as redes sociais para “pipocarem” fotos e vídeos de festas cada vez mais glamourosas. Basta ver quantos salões de eventos foram construídos nos últimos anos em Cascavel. Parece que nada mais é impossível nesses eventos sempre inovadores e surpreendentes.

E o calendário de Cascavel está cheio deles: fica até difícil definir os meses de “temporada”, já que hoje existem turmas se formando o ano inteiro. Para se ter uma ideia, uma única empresa que atende na cidade realiza, em média, 80 formaturas por ano considerando o mercado do Paraná e da região Oeste de Santa Catarina, envolvendo cerca de 2800 formandos.

Fazer essa engrenagem girar exige habilidade para lidar com muitos trabalhadores diretos e indiretos. “É preciso se cercar dos melhores parceiros em todos os segmentos. Ninguém faz nada sozinho: é preciso ter bons fornecedores. E acima de tudo, prezar muito pelo treinamento da equipe para que no dia saia tudo perfeito”, explica Rondinelle Batista, sócio de uma empresa de formaturas que está no mercado desde 2004.

O efeito “cascata” -

Uma empresa contrata um fornecedor que contrata outro e aí começa um looping quase interminável de setores direta e indiretamente ligados à comemoração. Do grande empresário que monta o buffet até a Dona Cleusa do pastel da feira, vendedora dos salgados que salvam a ressaca “pós-forms”.

São segmentos que, por vezes, tiram desses eventos uma importante fatia de seus faturamentos. A floricultura de Robson Batista de Siqueira foca em eventos desde que surgiu, há 11 anos. “Temos uma média de 30 formaturas por temporada, que geralmente vai de dezembro até abril, com alguns casos isolados no meio do ano. Hoje, as formaturas representam cerca de 40% do nosso volume anual de eventos. É um nicho que veio ganhando corpo nos últimos anos na região. Os formandos não querem mais o básico: querem muito mais que isso, estão antenados com as tendências”, detalha Robson.

Paralelo aos floreios, haja maquiador e cabeleireiro disponíveis! No salão de beleza da hair stylist Simone Ayala, a agenda fica movimentada praticamente o ano todo por formandas, familiares e amigas. “Não consigo mensurar quantas formandas atendo por ano, já fechei o salão em várias datas só para atender esse pessoal. Já atendemos mais de 30 pessoas para formatura no mesmo dia. Antes, o movimento começava em dezembro e ia até fevereiro. Hoje, já começam a aparecer clientes desde setembro e seguem até maio”, conta Simone.

É uma área gerando demanda para outra. Repare nos bares e restaurantes da cidade em dias de colação de grau: lotam de famílias e amigos comemorando a conclusão do curso. “Os hotéis também ficam cheios com os convidados que vêm de fora. Sem falar no mercado têxtil, locação de trajes, venda de roupas, já que os convidados também querem se vestir bem para as festas... Acho que é imensurável o impacto das formaturas para a economia”, avalia o empresário Rondinelle.

Foto impressa na era digital? -  Acredite: mesmo com tantos celulares registrando cada passo dos formandos e postando tudo em tempo real nas redes sociais, o serviço de foto e vídeo profissionais ainda é muito requisitado para as formaturas. Só isso representa 30% do faturamento da empresa de Rondinelle Batista.

“Algumas coisas são insubstituíveis. A maioria das pessoas perdeu seus registros digitais de 15 anos atrás. Então a melhor forma de guardar a fotografia ainda é a impressa, os arquivos digitais vão se perdendo. A sensação de ver uma fotografia revelada é totalmente diferente. Não tem como mensurar a felicidade que os formandos sentem ao folhear o álbum de formatura”, diz ele.

Ao infinito e além -  Quer copo personalizado? Garçons exclusivos e com uniforme específico para atender a sua mesa? Displays e quadros com o seu rostinho? Quitutes a perder de vista para cobrir os convidados do entardecer ao raiar do sol? Cabines de fotos, performance de robôs gigantes e até helicóptero para entradas triunfais?

Tudo é possível para transformar a formatura em um momento memorável. Mas para quem trabalha na área, o ápice já foi alcançado e agora o mercado vai se afunilando.

“A tendência é ir diminuindo. Muitos daqueles que se formam já não fazem mais opção pela festa de formatura. Agora vão permanecer aquelas empresas que prezam pela excelência e pela inovação, que entregam muito além daquilo que foi vendido”, projeta Rondinelle. Então, que a indústria sem chaminé se reinvente, mas que continue a mover a cidade para produzir felicidade.

 

Por Marcele Antonio -  Contelle Comunicação

Fotos: RB Formaturas