Cascavel, Quarta-feira, 19 de junho de 2019

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A bola tem que entrar

Frasista e acelerado, presidente do Cascavel é a versão pragmática de Vicente Matheus
Postado em 22/12/2018

“É torcer para a bola entrar. Estamos fazendo tudo para a bola entrar”. A prosa é do empresário Valdinei Antonio da Silva, presidente do FC Cascavel. Não seria correto dizer que ele vem embalado do lançamento do plano associativista apresentado esta semana na FAG, com a presença do repórter esportivo Mauro Naves. Não seria correto por que Valdinei está embalado o tempo todo. Ele opera no 220, 24 horas do dia.

Ao arrojado plano do sócio torcedor: é possível associar-se ao FC Cascavel com mensais de R$ 9,90, com direito a camiseta oficial e ingresso. Ainda “corre o risco” de ganhar no sorteio 20 motos, cinco carros e um apartamento. “Nossa meta é associar 30 mil torcedores”, diz Valdinei, vendedor nato, com todas as cotas de patrocínio na camiseta contratadas com antecipação.

Em maio deste ano a diretoria do FC fechou o planejamento de 2019. O time estava montado em outubro. A maioria das EQUIPES que vão disputar o paranaense vão pensar nisso só em janeiro. Mas e os resultados? Por que a bola não entrou em 2018, nem em 2017, apesar de todo barulho que o guizo da serpente emitiu?

“Não existe resultado de curto prazo no futebol. Quem for imediatista, vai ficar a vida inteira dizendo: em mil novecentos e bolinha fomos campeões paranaenses. Depois nada”, diz o presidente frasista.

Vamos às bases sólidas do projeto de longo prazo: equipes de base montadas (sub 17, 19 e 21). Projeto para chegar na fraldinha (sub 7, 9, 11 e 13), contas pagas, 89 cotistas recrutados entre os maiores empresários da cidade “comparecendo” mensalmente.

Estádio

O FC não se entusiasmou com a oferta de concessão do Estádio Olímpico. O presidente vê óbices: “tem que trocar o gramado de lugar, trocar a iluminação, tirar as gastonas lâmpadas de mercúrio, estádio é muito grande, o torcedor fica tão longe do jogador que é igual jogar em campo neutro. O Olímpico está a 45 minutos de ônibus da região Norte”, pontua.

A equipe caminha para construir um estádio na região Norte de Cascavel e edificar ali o caldeirão da serpente. “A média de público do Paraná Clube foi de 800 torcedores. A nossa média, a maior do interior, foi de 4 mil torcedores. Então precisamos de um estádio que inicialmente abrigue bem 6 mil pessoas”, avalia Valdinei.Como bancar um estádio? “Primeiro tem que ter gestão, transparência e retorno.

Nós queremos falar de negócios. Geramos R$ 5 milhões de mídia espontânea para os patrocinadores gerando retorno para as marcas, vendemos 10 mil camisetas e em 2019 vamos vender 30 mil. Olhamos para o conjunto da obra. Cego é quem enxerga só a bola”.

Em tempo:Mauro Naves , o jornalista Global de cinco Copas do Mundo, esteve na apresentação do FC Cascavel, na última quinta-feira. Os dirigentes não seriam indelicados de divulgar quanto pagaram de cachê. Mas o mercado paga para profissionais do quilate dele, em média, R$ 10 mil, livre da despesa com o sorteio do bife. É bola entrando. Adriano Imperador não vem mais, mas futebol também é feito de medalhões.

Editorial

Vicente Matheus, lendário cartola do Corinthians, dizia: “Quem tá na chuva é para se queimar”. Valdinei também é frasista, mas não quer fazer parte do folclore do futebol. Para tanto, terá que fazer chover sem se queimar. E a bola terá que entrar, de preferência com efeito, onde a coruja dorme, para que os deuses que relegaram o único título de nosso futebol “a” mil novecentos e bolinha” não possam espalmá-la para escanteio.