Cascavel, Quarta-feira, 17 de outubro de 2018

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Mourão na porteira

Vice na chapa de Bolsonaro, general refuta “pauta de Ipanema” e diz que ninguém está olhando para o cofre vazio de Brasília

Hamilton Mourão era capitão do Exército quando conheceu Cascavel, nos anos 90. Foi após um salto de paraquedas noturno, durante um exercício militar, que tocou o chão da Capital do Oeste pela primeira vez. Décadas após, retornou à cidade na condição de general da reserva e candidato a vice-presidente da República na chapa de Jair Bolsonaro.

Aqui ele afasta a intervenção militar como caminho para o Brasil e diz que a democracia liberal surgiu vencedora do embate com o imperialismo, o nazi-fascismo e o comunismo. E prega um governo austero,  onde o avião com destino à Rússia não terá escala luxuosa em Paris. Acompanhe.

Fronteira I
A criminalidade é multinacional. A política diplomática precisa envolver os dois lados. Dialogar com nossos vizinhos. São 16 mil quilômetros de fronteira com nove países. Os ilícitos transfronteiriços estão na raiz de nossos problemas de segurança pública. Sabemos que não é tarefa fácil.

Fronteira II
A maior potência econômica e militar do planeta tem fronteira com apenas dois países, Canadá ao norte, que não traz problemas, e o México ao sul, de 2,6 mil quilômetros, com dificuldades extremas para controlar. Então o Brasil não resolve isso sozinho com seus 16 mil quilômetros de fronteira. Tem que haver pressão diplomática para que a coerção e força policial dos vizinhos atuem em conjunto conosco.

Cofre vazio
Teremos muitas limitações orçamentárias. É preciso primeiro restabelecer o equilíbrio fiscal e a economia brasileira, com enxugamento do Estado, redução dos ministérios. O governo tem que fazer o dever de casa. É o quinto ano consecutivo de déficit, estamos há cinco anos no vermelho. Equalizar receita e despesa é emergencial.

Cofre vazio II
Quando na casa da gente gastamos mais que ganhamos, entramos no cheque especial, depois estoura o cartão de crédito, por fim vamos bater na porta do agiota. O Brasil está no agiota faz cinco anos. Teremos um déficit de R$ 150 bilhões este ano.

A dívida I
A dívida pública está em 75% do PIB. Vamos entender melhor isso: quando os EUA injetaram recursos dentro do Plano Marshall para reconstruir a Europa destruída pela Segunda Guerra, aportou 100 bilhões de dólares. Esse valor, mais de R$ 400 bilhões de reais, é o que o Brasil paga de juros por ano na dívida pública. Ou seja, reconstruiríamos um continente inteiro devastado com o que pagamos de juros.

A dívida II
Lula e Dilma se anunciam como se não fossem responsáveis por devastar a economia do País. Gastar o dinheiro público para fazer a economia girar é uma visão primária que ignora a capacidade de endividamento. Esta política irresponsável trouxe a recessão e derrubou o PIB em 8%, lançando 13 milhões de brasileiros na fila do desemprego.

Militarismo
Não há espaço para intervenção militar. A democracia liberal é a vencedora. Derrotou o imperialismo na Primeira Guerra, venceu o nazi-fascismo na Segunda Guerra. Derrotou o comunismo. A democracia liberal venceu. Não há no planeta um único país desenvolvido e livre sem democracia.

Corrupção I
As instituições estão funcionando. Aquilo que vem lá do Ademar de Barros, do “rouba mas faz”, está sendo superado. Hoje os instrumentos de combate são mais eficazes, com destaque para o papel do Judiciário, do Ministério Público, Polícia Federal e imprensa livre. É o momento de reforçar aqueles que fazem política com “p” maiúsculo.

Corrupção II
Mas há muito para avançar ainda. Temos dois grupos de criminosos para conter com todo rigor. Os marginais do colarinho branco, encastelados no poder, que ao invés de servir ao Brasil estão se servindo da nação. E as narco-quadrilhas, que vicejam nas comunidades, matam, assaltam e estupram. É preciso enfrentá-los de forma diligente e corajosa.

Urnas eletrônicas
Compete aos partidos fazer uma fiscalização das urnas eletrônicas. Mas uma coisa é certa, o processo eleitoral está desprovido de um mecanismo de auditoria. O princípio da publicidade não existe no processo eleitoral. Pesquisas eleitorais: é possível ouvir 2 mil pessoas em lugares que não são divulgados para aferir a opinião de 147 milhões de pessoas?

Novas telas
A tecnologia hoje dá uma velocidade tal para a informação, que é impossível processar tudo. Antigamente se recorria a enciclopédias, hoje tem um aparelhinho na palma da mão com mais informações que a coleção inteira da Barsa e da Britânica.

Conhecimento do país
O Brasil tem 4,2 mil quilômetros de Norte a Sul. Fazer campanha eleitoral em país deste tamanho não é fácil. A França tem o tamanho de Minas Gerais. É possível atravessar aquele país em trem de alta velocidade em 3 horas. Morei na Amazônia, no Nordeste, Sudeste, Sul e Centro Oeste em 46 anos de vida militar. Foram 23 casas diferentes. Julgo ter algum conhecimento do meu país.

Herança vermelha
Há quem ainda acredite que o problema da América do Sul é herança de espanhóis e portugueses, que saíram daqui faz 200 anos. Ainda tem gente vivendo no século XIX, no Manifesto Comunista de 1848. Onde o comunismo vigorou, só resultou pobreza, indigência e falência da nação, na medida que subtraiu a liberdade.

Bolivarianos I
Veja a Venezuela, riquezas naturais enormes, petróleo, terras férteis, potencial turístico inigualável com montanhas nevadas de um lado e praias paradisíacas de outro. Enveredou por um caminho que começou a ser construído nos anos 60, com a presença de militares cubanos em seu território para a tomada do poder e a cooptação das forças armadas.

Bolivarianos II
Lá o processo começou pela infiltração ideológica dentro das escolas militares. Deste movimento surgiu a figura do Hugo Chaves, que tentou o golpe. Um general, ao invés de prendê-lo e isolá-lo, permitiu um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, e foi criando um imaginário. Anistiado, ele construiu o tripé: Exército cooptado, caudilhismo e povo abastecido com programas assistencialistas usando o dinheiro do petróleo.

Aqui não I
Projeto bolivariano deu no que deu, desintegração total do país, milhares fugindo. Os mais ricos foram para os EUA e Europa. Classe média, na Colômbia, Chile e Argentina. Aos mais pobres restou atravessar a grande savana para o Brasil, através de Roraima, com todos os problemas que estamos vendo.

Aqui não II
Jamais seremos uma Venezuela por uma razão muito simples: nossas Forças Armadas não foram e jamais serão cooptadas por um projeto autoritário desta natureza. Houve tentativas, mas nos defendemos de unhas e dentes. Tentaram introduzir mudanças nos currículos de nossas escolas militares. Não permitimos. Continuamos formando nossos homens dentro de uma doutrina democrática e cristã.

Queimar pólvora
Somos apenas 1,2% do mercado mundial. Governos anteriores se opuseram à OEA em favor da Unasul. O que é a Unasul? Um Pacto de Varsóvia de sandálias havaianas. Cadeira no Conselho de Segurança da ONU? Os cinco países vencedores da Segunda Guerra não vão abrir espaço. É como se diz no Rio Grande, queimar pólvora em chimango.

Política externa
Nossa política externa tem que se abrir para a Aliança do Pacífico, com EUA, União Europeia, China. Nenhum país pode ficar isolado. É preciso romper com a política anterior de firmar pactos com ditaduras assassinas da África e abrir o Brasil para o mundo.

Anarquia partidária
A reforma política precisa encabeçar as reformas com o voto distrital misto, que aproxima o representante do representado e reduz custos de campanha. Acabar com essa anarquia partidária, mais de 30 partidos, ninguém consegue administrar isso.

Pandarecos
Nos perdemos em discussões como a pauta de Ipanema, discutindo homofobia e gênero. Com as estradas em pandarecos, milhões de desempregados, gente morrendo na fila do hospital, não podemos gastar energia com assuntos que não irão resolver os problemas prementes dos brasileiros.

O caos é ali
Reforma da Previdência e déficit público: se nada for feito, em 2022 o governo para. Não paga mais nem despesas obrigatórias, que devoram nove em cada dez reais da receita. A margem de manobra é estreita, e ninguém está falando disso. A Previdência é urgente. Será trocar o motor com o avião em pleno voo.

Plantão do JN
Com a carga tributária chegando a 37% do PIB como vamos competir com os EUA (19%) e mesmo com o Paraguai (8%)? A reforma tributária tem que alargar a base de contribuintes para que todos paguem menos. É justo que os apresentadores do “Jornal Nacional” montem uma PJ e paguem 16% ao invés dos 27,5% que deveriam pagar como pessoa física?

Carimbador maluco
Enfrentar o sistema cartorial. Aqui é tudo no carimbo. Vamos digitalizar e virtualizar o governo. Se o banco está no celular, por que o governo não está? Enfrentar o corporativismo de parte do funcionalismo, educar a distância dentro do celular, tirar dinheiro e poder de Brasília no novo pacto federativo. Não faz sentido o prefeito de Cascavel viajar a Brasília para pedir uma ambulância.

Inversão
A educação se perdeu. Gasta muito no ensino superior enquanto a educação básica, que é fundamental, está abandonada. A universidade pública é frequentada por gente que pode pagar, e a privada, que cobra mensalidade, é frequentada por quem não pode pagar.

Mulher bonita
Vamos resgatar o orgulho de sermos brasileiros. Não queremos ser conhecidos no exterior como país do futebol, das mulheres bonitas e da corrupção. Podemos ser conhecidos pelos bons jogadores e pela beleza das mulheres, sem problemas, mas precisamos ser reconhecidos como povo trabalhador, decente, honesto e bem concebido.

Chico e Francisco
Democracia e liberdade são valores fundamentais, andam de mãos dadas, mas a liberdade termina onde começa a do vizinho. Esquecemos um pouco isso na crise de valores que a sociedade enfrenta. Somos pelo primado da lei, que leva em conta o índice do cabo Chico. Se vale para o cabo Chico, vale para o general Francisco.

Autoridade moral
Austeridade é a palavra de nosso futuro governo. Não vamos na reunião da Rússia enchendo avião com 100 amigos, com escala em hotel de luxo e os melhores vinhos em Paris, para depois chegar ao destino. Não é aceitável a presidência da República custar mais que monarquia do Reino Unido. A austeridade nos dará autoridade moral para estabelecer relações republicanas com o Congresso e o Judiciário e a sociedade, sem precisar se submeter a pressões espúrias.