Cascavel, Quinta-feira, 23 de maio de 2019

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General que caiu do céu!

Vice de Bolsonaro saltou de paraquedas no breu da noite cascavelense
Postado em 14/09/2018

Quando o capitão Hamilton Mourão saltou de um avião das Forças Armadas no breu de uma noite cascavelense nos anos 1990, jamais poderia imaginar que estaria de volta à cidade, três décadas depois, em circunstâncias tão diferentes.
O retorno dele, depois do salto no escuro, ocorreu na última quarta-feira, na condição de general da reserva e candidato a vice-presidente da República na chapa do líder das pesquisas, Jair Bolsonaro.
Mourão falou para um auditório lotado, na Acic. Percorreu uma abordagem típica das análises de conjuntura produzidas na caserna. Disse conhecer o Brasil como poucos, já que morou em 22 residências diferentes durante a carreira.
Criticou a “Constituição Cidadã”, promulgada em 1988, que distribuiu direitos e benefícios, sem a respectiva provisão de receita. Observou o caráter obeso e enciclopédico da carta magna: “A constituição foi do alfinete ao foguete”, disse, contrastando-a com a congênere americana, bem mais enxuta, “focada em princípios”.
Citou o guru ultraliberal de Bolsonaro, Paulo Guedes, mas sem desfiar a argumentação privatista dele. Porém, não fugiu do “pacote de maldades” que o novo presidente terá que editar ainda antes de esquentar aquela cadeira no 2º andar do Planalto: entre elas, a reforma na Previdência.
Comparou o profundo ajuste nas aposentadoria a uma emergência no mundo das asas, que ele domina bem como paraquedista. “A reforma será como trocar o motor do avião em pleno voo”, disse.
Cueca de crochê - Foi na praia de Ipanema que o ex-combatente da esquerda revolucionária, Fernando Gabeira, foi fotografado em cuecas de crochê. O mesmo ponto extrovertido do litoral brasileiro foi citado pelo general Mourão, em contexto semelhante.
“Com 13 milhões de brasileiros na fila do desemprego, não faz muito sentido esta pauta de Ipanema, que gasta energia debatendo homofobia”, disse o general, em capacete que serve tanto para a direita papa-hóstias como para a esquerda arco-íris.
Conhecedor do assunto, mais articulado que o titular da chapa, Mourão foi aplaudido quando disse que as Forças Armadas estão vacinadas contra o vírus do bolivarianismo. Ele descartou qualquer infiltração ideológica no Exército, como aconteceu na Venezuela, acrescentando que tentativas de alterar conteúdos nas escolas de formação militar – supostamente nos governos petistas -  foram prontamente rechaçadas.
O general refutou qualquer hipótese de intervenção militar. “Não há espaço para isso. Somos pelo primado da lei: o que vale para o cabo Chico, vale para o general Francisco”, disse Mourão, oficial que caiu do céu - e que não irá se ofender caso você o considere um paraquedista da política.