Cascavel, Terça-feira, 16 de outubro de 2018

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Leiteiros sênior!

A vida do produtor de queijos começa aos 80 anos de idade. Inacreditável? Conheça o empreendimento Star Milk

Graças ao João e ao Ibrahim, irmãos de coração, o projeto atingiu este patamar”. A fala é do empreendedor Mario Soncella Filho, o Marinho. E foi proferida na inauguração do laticínio da Star Milk, no último dia 30 de junho.

Marinho, o sonhador, homem obcecado em transformar o leite premium da fazenda em queijos finos e derivados, referia-se aos dois personagens que roubaram a cena no evento que apresentou o projeto à comunidade regional: Ibrahim Fayad e João Almeida, ambos já gravitando no entorno dos 80 anos bem vividos.

A pergunta é: por que razão homens bem sucedidos em suas áreas de atuação, em idade madura, não vestem seus pijamas de poá e se recolhem à justa e digna aposentadoria? Quem os conhece sabe que esta hipótese está descartada.

Fayad dispensa apresentações: foi diretor do Bamerindus, ocupou elevados cargos nos palácios Iguaçu e Planalto, presidiu a Coopavel. Almeida vem de uma família “quatrocentona” na pecuária.

Foi pecuarista de gado de corte a vida toda, ofício que herdou do bisavô.  Vendeu a área de 3 mil alqueires na região de Dourados após passar quatro décadas na ponte aérea Cascavel/Mato Grosso do Sul. “Não sei ficar parado”, resumiu ele, ao aceitar o convite de Fayad para a empreitada do leite.

Os “leiteiros sênior” da Star Milk tem muitas coisas em comum: a faixa etária, uma longa amizade e a data de nascimento: apenas 24 horas separam o aniversário de um e outro. Até nos percalços eles se parecem: recentemente, enfrentaram semelhante problema de saúde, que lhes exigiu quimioterapia e muita força de vontade para vencer. “Foi uma prova dura, mas não pode se intimidar. Superamos, é coisa do passado”, afirma João Almeida. Profundo conhecedor da apreciada bebida que vem da uva, agora ele une vinho com o queijo, harmonização perfeita.

“A Star Milk é referência internacional na produção de leite. Chegou o momento de verticalizar a produção, industrializar. Eu estava com disponibilidade de tempo e recursos, acabei aceitando o convite do amigo”, resume ele.

Formatação do negócio
Coube ao advogado Adriano Pereira formatar o negócio que une 15 investidores no entorno do laticínio, em diferentes medidas acionárias. “Produzimos uma ideia inicial e nos fechamos por dois dias no Copas Verdes para expor. Dali saiu um grupo fechado e entusiasmado”, resume o advogado.

A Star Milk produz 20 mil litros de leite tipo A – o mais disputado do mercado, pela sua qualidade. É o produto absorvido por compradores  exigentes, como a Nestlé, por exemplo.

Inicialmente, imaginava-se utilizar esse lote de produção no laticínio. Mas a ideia cresceu. E na versão final, o empreendimento foi capacitado para 180 mil litros. Trata-se de uma das plantas mais tecnológicas da América Latina.

Equipamentos de última geração foram adquiridos na Alemanha. São capazes de produzir em escala gigante produtos como mussarela, queijo asiago, minas frescal, ricota e manteiga, tudo com a marca Star Milk (muito breve, em todos os supermercados).

A estrutura também foi dimensionada para terceirizar serviços. Entendimentos já estão adiantados com gigantes do agronegócio, como a Frimesa. “O cliente pode entregar 50 mil litros por dia e dizer: transforma em mussarela. Faremos a prestação de serviço para queijos e frios”, explica Adriano Pereira.

Atuar na indústria da alimentação não é para amadores. Sabedores da dimensão do desafio, os mentores do laticínio incluíram no quadro associativo especialistas na distribuição e em comércio exterior. A ideia é, além da produção própria, importar queijos premium dos melhores fabricantes do planeta e ofertar no mercado nacional.

Gráfica Star Milk
As máquinas alemãs do laticínio concorrem até com a indústria gráfica. Dotadas de uma lâmina especial, elas não deixam rebarba na industrialização de presuntos e queijos, e não permitem que as fatias “grudem” umas nas outras, dificultando a vida do consumidor. E dali, do processo de produção, os produtos já saem com o logotipo comercial impresso na embalagem, praticamente prontos para a gôndola do varejo. Já são mais de R$ 30 milhões de investimento, uma aposta pesada no leite, produto que enfrenta sazonalidades no preço quando in natura, mas que pode remunerar melhor uma vez transformado.