Cascavel, Quarta-feira, 17 de outubro de 2018

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Rato disruptivo

Natural de Jandaia do Sul, 37 anos de idade, ele convoca sua geração para romper o “Paranhão” das dinastias Dias, Requião e Richa

Disruptivo: agente de ruptura da ordem estabelecida. Revolucionário capaz de minar ideias que pareciam solidamente estabelecidas.

Exemplo eletrizante: Elon Musk e a sua Tesla já são capazes de produzir veículos elétricos em escala suficiente para aposentar os motores a combustão e nos livrar da fumaça e do barulho enlouquecedor das cidades.

Há mais de 400 mil clientes na fila de um Tesla Model 3, veículo 100% elétrico. Ninguém imaginava que isso fosse possível, alguns meses atrás. A Tesla é disruptiva.

Carlos Roberto Massa Junior, o Ratinho Junior, aos 37 anos de idade será o agente de ruptura da ordem política familiar oligárquica estabelecida no Paraná? “Vamos romper com o Paranhão”, disse o filho do apresentador, em acrônimo que junta os nomes Paraná e Maranhão.

É com esta roupagem (ou seria pelagem?) que ele se apresentou na Acic, em uma sexta-feira 13 de julho.  Um dos desafios do Rato disruptivo é provar que ele - diferente da marca que Osmar Dias tenta lhe carimbar na testa - não representa um terceiro mandato de Beto Richa.

Acompanhe os principais trechos da exposição do pré-candidato:

Experiência
Construímos um patrimônio na gestão pública, tocamos centenas de obras, nenhuma sofre qualquer investigação. Implantamos pela primeira vez em uma secretaria de Estado o compliance, ferramenta difundida na iniciativa privada de prevenção ao desvio de conduta.
 
Paraná é meu país
O Paraná tem PIB maior que Portugal, superior a Uruguai e Bolívia somados, portanto precisamos administrar e planejar o estado como se fosse um país, com planejamento de médio e longo prazo e com foco em nossa vocação econômica, o agronegócio.

2 bilhões de bocas
O mundo já brigou por petróleo, hoje temos jazidas para mais 150 anos. A questão da água potável está sendo resolvida com dessalinização. O grande desafio da humanidade então será o salto da população de 7 para 9 bilhões. Aqui está a grande oportunidade do Brasil, em especial do Paraná.

Celeiro do planeta
O grande desafio da humanidade passa a ser a segurança alimentar. Em nenhum lugar do mundo se produz mais alimentos por metro quadrado que no Paraná. Vamos trabalhar para potencializar o que já se faz aqui no Oeste do Paraná, com a indústria de transformação de alimentos forte, capaz de agregar valor ao produto e ocupar espaço nesta oportunidade gigante gerada pelo crescimento populacional.

O elefante e o rato
A máquina pública é hoje um elefante gordo, insaciável, que devora toda a carga tributária com penduricalhos, empreguismo de compadres, um inchaço que a sociedade não consegue mais suportar e manter. Este modelo faliu, ou muda ou continuaremos rastejando. Minha geração tem a obrigação de apresentar uma alternativa a tudo que está aí.


Facão afiado
Uma equipe qualificada de 350 pessoas está finalizando a elaboração de meu plano de governo sob a coordenação do Reinhold Stephanes, homem experimentado, ministro em três oportunidades. Minha orientação é clara. Enxugar o governo. Sairemos das atuais 28 secretarias para 12, no máximo 15. Este corte representará milhões de economia e irá sinalizar para o enxugamento em todas as áreas.

Imobiliária Iguaçu
O governo do Paraná tem 6 mil imóveis e aluga outros 1,8 mil. O estado é trágico como gestor imobiliário e tem um reflorestamento de 36 mil hectares. O que justifica o governo atuar na área de reflorestamento? Um patrimônio imenso imobilizado, e sem dinheiro para projeto executivo. Não temos um plano logístico, não sabemos que rodovia devemos ter duplicada daqui 10 anos.

Vende-se uma ilha
Temos uma ilha para atender o governador e sua família. É a ilha das Cobras, na baía de Paranaguá. A sociedade mantém uma chácara lá para os governantes. É preciso acabar com essas mordomias monárquicas que devoram o dinheiro público faz 30 anos. Vou vender ou conceder aquela área para atrair investimentos de turismo, um resort privado ou algo que gere desenvolvimento econômico para o Paraná, ao invés de gastos injustificáveis.

Com licença
A economia não pode mais virar no modelo fordiano. Vamos fazer a transição do fordiano para a era Google. Não é possível que uma licença ambiental consuma dois anos de espera. Não que todas as licenças devem ser emitidas, mas se a resposta é negativa, tem que sair em dois meses para o empreendedor reprogramar seu investimento no estado, tocar a vida, dar outro rumo.

Velhos ladrões
O mundo mudou, conceitos mudaram, tudo está em constante mudança, menos a política no Brasil. Os políticos que estão sendo presos hoje, assaltam a República desde o governo Sarney, 30 anos atrás. Eles se revezam. O cara é governador agora e senador depois. Depois o senador volta a governar. Dali a pouco é o filho, o neto. Tem que romper este ciclo familiar no poder.

Oligarquias consanguíneas
O Paraná precisa oxigenar suas lideranças. Sem demérito aos governadores do passado, cada um deu sua contribuição, é preciso entender que este ciclo de quatro décadas do Paraná nas mãos de duas ou três famílias se exauriu. O longo tempo no poder vai trazendo alguns compromissos entre os mandatários que são ruins para os paranaenses.  Não tenho parente na política. É hora de romper esse ciclo familiar no Paraná.

Moro e Bretas
Veja como a oxigenação do Judiciário funcionou. Quando entrou um jovem juiz paranaense, o doutor Sergio Fernando Moro, e com ele outros juízes que romperam com a impunidade dos poderosos, como o Bretas, no Rio de Janeiro, somados aos jovens promotores e procuradores, deram outro ritmo para um poder que não punia ninguém. Daí a importância de nossa geração assumir suas responsabilidades.

Aos navegantes
Não quero me envolver em briga ideológica. Vamos ser práticos, vamos falar de metodologia de trabalho. O que deu certo no mundo que pode ser aplicado aqui? Os técnicos de Singapura, o porto mais eficaz do planeta, têm algo a nos ensinar em Paranaguá? Especialistas de Rotterdã, o maior porto em movimentação de mercadoria, tem algo a nos ensinar?

Califórnia é aqui
Contratei a empresa mais credenciada em parceria público-privada do Brasil. Queremos construir obras de infraestrutura em parceria com investidores privados, sempre debatendo com a sociedade, em processo transparente, em que o interesse público esteja preservado. O Paraná pode ser a Califórnia do Brasil. É o maior produtor de alimentos e de energia. Estamos a duas horas e meia de todas as principais capitais da América do Sul e ao lado do maior mercado da América Latina, São Paulo. Precisamos tirar proveito desta localização privilegiada.

Adeus cabides?
Acredito que a Copel e a Sanepar têm um papel importante para desempenhar na economia paranaense. Mas como não existe dinheiro público, e sim dinheiro que vem do bolso do trabalhador e do empregador, estas empresas precisam se adequar. Não haverá mais empreguismo, ingerência política. Quero a Copel mais focada na distribuição e na diversificação da matriz energética, com ênfase na energia solar, eólica e biomassa.

No amor e na dor
Um dos grandes erros das famílias que goveram o Paraná há tantas décadas é ausência de coesão política. Por décadas, governadores não conversaram com senadores, que não conversaram entre eles e nem com a bancada federal por picuinhas políticas. Nunca houve uma aglutinação de forças em torno do Paraná. E Brasília não funciona por amor. Brasília funciona na força política. Não terei problemas de juntar todos em favor do Paraná.

Alô, doutores!
As universidades estaduais precisam se envolver mais na produção científica voltada para o desenvolvimento econômico do Paraná. Vamos dar menos ênfase para a pesquisa acadêmica e mais ênfase para a pesquisa aplicada. Aplicada no desenvolvimento econômico, em nossa vocação econômica, a cadeia do agronegócio, com biotecnologia animal e vegetal. Para vislumbrar o desenvolvimento social, é preciso ter desenvolvimento econômico.

Diferenças I
O que me diferencia do Beto Richa? Ele vem de uma família tradicional da política. Foi prefeito bem avaliado na capital. No Palácio Iguaçu, como todos seus antecessores, cometeu erros e acertos. Minha trajetória é diferente. Sou do interior, não venho de grupo político tradicional, sempre fui independente, construí minha própria caminhada.

Diferenças II
Quem conhece a história de minha família sabe que, quando eu tinha dois anos de idade, meu pai me deixou com minha mãe na rodoviária em Jandaia e partiu para Curitiba em busca de emprego. Só nos reunimos novamente um ano depois.  Trabalho desde muito jovem.  Sou de uma outra geração. Uma geração que não pode se omitir, que põe a cara para bater e não vai fugir da missão de liderar a transformação, missão que lhe foi legada pela exaustão do sistema político vigente e pela indignação.