Cascavel, Terça-feira, 16 de outubro de 2018

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Guerras da Estrela

De estrela solitária a uma constelação de 415 postos de trabalho, a impressionante trajetória do empresário Sergio Borges

Como se pode imaginar, não foi fácil construir a maior rede de farmácias da cidade polo do Oeste, cujo mercado é disputado pelos grandes players nacionais. Se fosse preciso indicar um nome de filme para relatar a façanha do empresário Sergio Borges, talvez cairia bem o Star Wars, a Guerra nas Estrelas. Nome de um livro? Que tal “Estrela Solitária”, de Rui Castro?

Foram muitas batalhas até elevar a rede Estrela de farmácias ao firmamento. Hoje são 19 lojas, 415 postos de trabalho, R$ 100 milhões de faturamento. Mas tudo começou no balcão solitário de longos plantões, no início dos anos 1990. Borges, como todo pequeno empreendedor, abria e fechava a única loja, na rua Paraná, com jornadas de 16 horas.

O momento mais difícil veio logo ali, no comecinho da trajetória. A “estrelinha” travou dura batalha com o IPMC, o instituto de previdência do município, com o qual estava conveniada. “Fui denunciado na imprensa, humilhado, acusado de superfaturamento. Tive meus poucos bens confiscados, tornados indisponíveis”, relatou  Sergio Borges no Café com Pitoco, evento mensal organizado pelo jornal.

17 anos depois, após um cinematográfico star Wars na Justiça, a rede obteve ganho de causa. E agora deve receber uma indenização milionária do IPMC. A estrela solitária da época só não fechou as portas em razão de um ponto forte do empreendedor: rede de contatos. Devendo e com os bens indisponíveis para quitar as contas, Sergio Borges renegociou com seu maior fornecedor, a distribuidora Santa Cruz.

“Me perguntaram: como você pode pagar a dívida de R$ 247 mil?”. “Parcela em 24 meses que vou correr atrás”, respondeu Borges. A Santa Cruz não apenas repactuou a dívida, como abriu mais um crédito de R$ 150 mil em medicamentos para permitir o ressurgimento da Estrela.

“Com o crédito na mão, abri a segunda loja, na rua 13 de Maio”, relata o empresário. Foi mais ou menos assim: perdendo o jogo de 3 x 0, Sergio Borges tirou o volante e o zagueiro central e colocou dois atacantes. Era “calça de veludo ou bunda de fora”, para usar uma expressão popular.

Por mais seis anos, ele faria expedientes de 16 horas diárias para pagar as contas e expandir o negócio. Hoje Borges avalia que seu principal ativo são os recursos humanos. Na véspera da entrevista concedida ao Pitoco, ele acabara de palestrar para todos os funcionários, divididos em nove grupos, da zeladora ao farmacêutico.

“Eu disse para eles o que sempre digo: nosso cliente precisa se sentir acolhido, nosso colaborador tem que ter empatia. O cidadão que vamos atender veio para uma farmácia. Ele não vai abrir uma geladeira ali para encontrar algo que lhe dê prazer. Ele veio receber uma injeção, comprar uma fralda geriátrica, é preciso ter sensibilidade para entender qual a melhor forma de atendê-lo”, relata o empresário, escolado no balcão da farmácia.

Política de RH é uma obsessão. A gerente do setor era secretária dele. A psicóloga que acompanha recrutamento e seleção era a maquiadora que teve o curso superior patrocinado pela empresa. O time de recursos humanos aprendeu como lidar com o pessoal vendo o chefe receber funcionário por funcionário para fazer pessoalmente o pagamento do salário. Hoje isso não é mais possível, mas a relação horizontal da diretoria com a equipe ficou.

“Foquei no meu negócio”
Há muito as grandes redes de farmácia descobriram Cascavel. Não é incomum ofertarem grandes quantias para “engolir” a rede dos irmãos Borges. Esta perspectiva parece distante. As farmácias Estrela esbanjam saúde financeira. O grupo compra tudo à vista e vende 40% a prazo. Significa capital de giro sólido, poder de compra, negócio bem gerido.

“Ouço falar que alguns concorrentes estão entre os maiores devedores de impostos do país. Não me preocupo com eles. Foquei no meu negócio. Não tenho passivo trabalhista e vamos continuar crescendo”, afirma o empresário.

Ele se queixa apenas da insegurança pública. Diz que toda semana, a rede sofre assalto. E que precisou aprender a conviver com isso, deixando pouco dinheiro no caixa. Cita o irmão, Flavio Borges, como “ponto de equilíbrio, pessoa que me desafia e me motiva todos os dias, o cara que me dá energia. Nos entendemos com um olhar, afinados como um relógio suíço, unha e carne, não lembro de jamais ter discutido ou divergido dele”.

Futuro: a nova e estrelada geração vem aí
Competir em um mercado de operações enxutas, o das farmácias populares, pediu uma adequação na rede Estrela. A empresa opera também com a bandeira 2, formato que reduz o custo com folha de pagamento e atua de forma mais agressiva no preço.

A nova geração dos Borges está à frente da operação de baixo custo. Com o domingo fora do calendário, reduz um farmacêutico e o vendedor acumula função de caixa. O sistema não atua na tele-entrega, operação onerosa em tempos de gasolina no céu. A operação reduz o custo fixo em R$ 10 mil mensais.

Uma das lojas está no prédio do Irani do Parque Verde, gerenciada – por enquanto – pelo filho do fundador da Estrela. O menino agora vai passar uma temporada no Rio de Janeiro, onde irá atuar em uma rede de mais de 200 farmácias para depois compartilhar a experiência aqui. A nova e estrelada geração dos Borges vem por aí...

Café orquestrado
No Café com Pitoco de junho a presença ilustre da Orquestra Paranaense de Viola Caipira.  O grupo recebeu a comenda “Mensageira da Cultura Raiz”, e apresentou uma parte de seu vasto repertório, incluindo “A sementinha”, canção cujo vídeo obteve 2,6 milhões de visualizações no Facebook. “O Pitoco foi um dos primeiros veículos de comunicação a divulgar a Orquestra, que hoje tem renome nacional”, pontuou o maestro Ricardo Denchuski. A Orquestra agora é multiplicadora da música raiz. Em parceria com Itaipu, os músicos executam o projeto Viola Lindeira, com mais de 600 famílias envolvidas em aulas de viola. Os professores são os próprios integrantes da Orquestra.
O Café com Pitoco é um evento mensal cujo ponto alto é uma entrevista testemunhada pelos convidados. O entrevistado da ocasião foi o empresário Sergio Borges. O encontro tem o apoio cultural da Nutricard, Sicoob Credicapital e Bourbon Cascavel Hotel Express. Acompanhe aqui as fotos do evento, com a homenagem à Orquestra e a presença dos assinantes convidados.