Cascavel, Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

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FERNANDO JOSÉ DE MATOS

Postado em 08/04/2011
·         Por Márcio Eduardo Ouriques Couto, membro da Academia Cascavelense de Letras
 
 
 
     Faleceu na última terça-feira, em Cascavel, um dos mais antigos comunicadores do rádio brasileiro, o paraense Fernando José de Matos, aos 77 anos. 
 
     A sua trajetória como radialista começou há 64 anos, em 1947, em Belém do Pará, na antiga PRC Rádio Clube, depois Marajoara. Inicialmente, participou como locutor de comerciais e já atuando no radioteatro profissional, sua grande paixão. Ele dizia que “nesta atividade, o ouvinte é que é a figura principal. O rádioator deve provocar a imaginação do ouvinte, é ele que cria a figura do personagem, dos cenários e da trama. Mas para isso é preciso emoção, mesmo que seja para interpretar um pequeno texto. É por esta e outras razões que o rádio nunca perdeu seu espaço”, comentava.
 
    Atuou como produtor de programas, “cabomen” e contra-regra, mas era considerado um mestre na interpretação de textos através do rádio. Teve passagens pelas grandes emissoras de rádio brasileiras, como Tupi e Nacional, do Rio de Janeiro, além da Globo de São Paulo. 
 
 
 
EM CASCAVEL
 
 
 
     Em Cascavel desde 1993, aposentou-se de sua outra atividade, a publicidade, e foi um dos primeiros comunicadores da Rádio Nacional AM, hoje Rádio CBN; além disso, foi um dos primeiros comunicadores e apresentadores da televisão a cabo, atuando na TV Cascavel Canal 2, apresentando o programa “Travessia”, que foi também um sucesso no rádio.  Mais recentemente, atuava na produção e apresentação do programa “Boa Noite, Saudade”, pela Rádio Colméia AM, que era levado ao ar nas noites de domingo, sendo líder absoluto de audiência. Fernando gostava de se comunicar com os mais humildes, mas fazia amigos pelo rádio com pessoas de todos os níveis econÃ?micos ou sociais, que o procuravam e se tornavam amigos seus. 
 
    Viúvo do primeiro casamento, casou-se com uma ouvinte, Marlene, em 1998, e teve um menino,  Júnior, que preparava para seguir os seus passos no rádio. Tinha várias centenas de ouvintes cadastrados, e quando o nome era o mesmo, colocava números, como Valdecir 01, Valdecir 02, e assim por diante. Fumou por mais de sessenta anos e o motivo de seu passamento foi Enfisema Pulmonar e Insuficiência Respiratória. O que chamou a atenção entre os amigos e familiares presentes, no enterro, foi a presença de dezenas de desconhecidos no momento em que o caixão descia ao túmulo; um deles, Ivaldino Batista, morador no Jardim Santa MÃ?nica, fez uma oração e disse: “... este é o nosso Fernando Matos, o melhor radialista que eu ouvi na minha  vida, e eu ouço rádio há mais de 50 anos! Eu não o conhecia, fiz questão de và ª-lo e agradecer a sua família pelos conselhos e pelo carinho que ele dava para milhares de ouvintes. Vai com Deus, querido amigo Fernando Matos”.
 
 
 
 
 
O TALENTO ARTÍSTICO
 
      Fernando Matos brilhou ao lado de grandes nomes do radioteatro brasileiro, entre eles Lima Duarte, Henrique Martins, Theresa Amayo, Darlene Glória, Paulo Gracindo e Mário Lago, seu amigo  pessoal. Dono de uma voz memorável, o talento de Fernando Matos começou a ser notado em 1947, aos 13 anos, quando iniciou sua carreira na PRC Rádio Clube do Pará, em Belém, sua cidade natal.  Ator de rádio, fotonovela e televisão, poeta, cronista, dublador, compositor, músico(era exímio com o violão) e cantor, foi porém como locutor que entrou para os anais da História da Comunicação no Brasil. Sabia usar com maestria a voz marcante em comerciais para a TV e rádio.
    Como radioator, sua primeira participação foi em “Espelho Partido”, considerada por ele a mais marcante. E o último trabalho na área foi “A Cabana do Pai Tomás”,  nos anos 1980, em Belém do Pará. Foi um dos radioatores que mais cartas recebia, e, quando a televisão surgiu e começou a fazer sucesso, Janete Clair e Dias Gomes o convidaram para que participasse das primeiras telenovelas brasileiras, em pequenos papéis, pois não tinha o aspecto do “galã clássico”, dizia brincando. E acrescentava: muita gente não acreditou que a televisão daria certo, pois havia muita improvisação e carência de materiais e equipamentos. Permaneceu muitos anos no Rio de Janeiro, dublando e atuando, sendo o último destaque na telinha o papel de um mordomo, na novela “Paixão Proibida”, de Janete Clair, apresentada ao vivo, onde os atores principais eram Sérgio Cardoso e Juca de Oliveira.
 
 
 
HOMENAGEM
 
Neste domingo, às 20 horas, a Rádio Colméia leva ao ar um programa especial dedicado à memória de Fernando Matos, que será apresentado por João Diego. Vários amigos e colaboradores do programa “Boa Noite, Saudade” estarão presentes e dedicarão textos e poemas em sua homenagem.