Cascavel, Quarta-feira, 17 de outubro de 2018

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Amigo Pedro

Em Marechal Cândido Rondon, os Rauber protagonizam uma equação curiosa: o filho é prefeito e o pai preside a Câmara

Raul Seixas e Paulo Coelho faziam uma bela dupla. São da lavra deles clássicos como “Sociedade Alternativa”, “Eu Nasci há 10 mil anos atrás” e  “Gita”. Também é deles a icônica composição “Amigo Pedro”.

Na biografia “O Mago”, o escritor Fernando Morais revela que “Amigo Pedro” foi inspirada no pai de Paulo, Pedro Coelho. “Pedro, onde cê vai eu também vou”, diz o refrão, “mas tudo acaba onde começou”, segue a canção, relatando o conflito de gerações do filho moderninho com o pai careta de rotina previsível.

Não é bem esse o desenho em Marechal Cândido Rondon. Mas onde foi o pai Pedro (vereador de oito mandatos), foi o filho, Marcio Rauber, eleito vereador em 2012 e agora prefeito do município.

Pedro foi comandar um poder (preside o Legislativo) e Marcio comandar o Executivo, eleito em votação consagradora dois anos atrás. E assim se criou uma equação curiosa, algo que certamente renderia inspiração para mais uma letra da dupla Raul/Paulo Coelho: o filho é o prefeito, o pai é o presidente da Câmara.

O Pitoco aproveitou-se de um momento descontraído do prefeito Marcio Rauber para lhe perguntar à queima-roupa: a relação paternal influencia a necessária independência entre os poderes em Marechal Rondon?

Rauber admite que a questão vem sendo explorada por setores da oposição. Em voz grave, ele põe ênfase nas palavras da resposta. “Quem fala isso não conhece o Pedro Rauber. Quem acha que é fácil ser prefeito com o pai presidente da Câmara, não conhece o Pedro”.

O filho descreve o pai como austero. “Meu pai tem 40 anos de vida pública. Nesse período, não acumulou patrimônio, não responde ação judicial nenhuma, é um homem firme e íntegro, jamais atentaria contra a independência dos poderes”.

Segundo o prefeito, o pai presidente da Câmara é o mesmo homem exigente que o criou. “Quem possa imaginar qualquer acobertamento com o filho, não desconhece o Pedro. Ele foi muito exigente como pai, e agora é muito exigente comigo no meu exercício do mandato”.

Marcio afirma que sofre cobranças do Pedro, porém restritas ao campo institucional, sem ingerência nas decisões que cabem ao prefeito e sua equipe. “Da mesma forma que não cometo ingerências na condução do Legislativo e nem ele aceitaria isso”. O filho cita como exemplo de austeridade do pai a devolução de R$ 2 milhões do Legislativo para o Executivo, fruto da condução com mão de ferro do veterano homem público de Rondon.

Márcio aplica o DNA dos Rauber no dia a dia da administração. Onde vai o Pedro com a tesoura de cortes nos gastos da Câmara, vai o filho com o tesourão nos gastos da Prefeitura.Assim sendo, Marechal Cândido Rondon, a “Alemanha do Oeste”, segue em ritmo de Raul e Paulo Coelho com o  hit da estação: “Pedro, onde cê vai eu também eu vou...”