Cascavel, Sábado, 17 de novembro de 2018

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A farda é forte

Bolsonaro se beneficia da reputação do Exército Brasileiro mas instituição não tem candidato, enfatiza general
Postado em 02/03/2018

Ao colar sua imagem na reputação do Exército, o capitão da reserva Jair Bolsonaro atrai os votos dos simpatizantes de valores cultivados na caserna, como patriotismo, ordem, disciplina e respeito.

A leitura, isenta de paixões, pode ser extraída da entrevista concedida pelo general Marcos de Sá Affonso da Costa, comandante da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada. O oficial superior foi o convidado especial de mais uma edição do Café com Pitoco, na última quarta-feira.

Cauteloso, porém, o general fez questão de enfatizar que o Exército “é uma instituição de estado, que não se envolve na política partidária”.

No entanto, destaca Affonso da Costa, os militares, na condição de cidadãos, e a população como um todo, podem se identificar com figuras públicas associadas a valores cultivados nos quartéis.

“A pauta que ele propõe deve encontrar ressonância entre os militares, é natural que isso aconteça”, afirmou o general. “Agora, nada disso se confunde com cores partidárias. A instituição não tem candidato e isso foi enfatizado pelo comandante do Exército recentemente. Não há apoio institucional a ele nem a ninguém. Somos uma instituição da pátria, servidores do estado”.

Intervenção

Da nova geração de oficiais generais, Affonso da Costa ingressou na carreira já no ocaso do regime militar, em 1983. Carioca, dono de uma trajetória veloz e meritocrática, ele não tropeça nas palavras e expõe com clareza as temáticas sugeridas.

A despeito do contemporâneo protagonismo das forças armadas na segurança pública, a exemplo da intervenção no Rio de Janeiro, o general faz questão de enfatizar a missão precípua do Exército: “a defesa do Estado e das instituições democráticas”.

Portanto, não venham com saudosismo de governos militares para cima desta geração de generais, que não haverá ressonância.

Affonso da Costa está à frente de 5 mil homens distribuídos em 11 unidades militares. Prestam continência para ele subordinados de um território equivalente a dois terços do Paraná, aí inclusos todos os principais municípios do interior, exceção para Ponta Grossa:  Cascavel, Foz, Pato Branco, Beltrão, Londrina, Maringá e Guarapuava, entre eles.

Outras autoridades da segurança pública acompanharam o evento, a exemplo do comandante do 5º CRPM, coronel Washington Lee Abe e do delegado chefe da 15ª Subdivisão Policial, Rodrigo Baptista.