Cascavel, Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

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O “Mito” no Show!

Jair Bolsonaro sabe como enlouquecer a “nova direita”
Postado em 11/02/2018

Quem era aquela turma, celulares em punho, correndo atrás do Bolsonaro no aeroporto de Cascavel e no Show Rural aos gritos de “mito, mito, mito”? Foi possível traçar no visual o perfil que as pesquisas já tinham identificado: homens jovens, entre 16 e 40 anos, vários militares, todos integrantes da nova e barulhenta direita brasileira.
Os quase 30 anos de mandato no Congresso Nacional não foram suficientes para prover Jair Bolsonaro de uma oratória empolgante. Ele tem dificuldade de conectar ideias. Mas sabe quais botões apertar para levar seus seguidores ao êxtase: “MST terrorista”; “Lula bandido na cadeia” e “um fuzil para cada agricultor”, são “tags” que enlouquecem a turba.
Teatral, detentor de dons artísticos, Bolsonaro pousou em Cascavel, na última quarta-feira, era quase 16 horas. Veio pelas asas da Azul. Rouco, gritou para uma plateia enlouquecida os mantras acima: “fuzil, terroristas, bandidos”. Em seguida a cena que se repete em todo o Brasil. Aos gritos de “mito”, os seguidores carregaram o candidato nas costas.
Bolsonaro parece gostar deste ritual de endeusamento. A imagem desta edição, obtida durante a entrevista coletiva no Show Rural, ninguém pediu. Ele tomou a iniciativa de fazer. Fez pose com os óculos escuros, em um gesto cinematográfico que puxou outro coro: “mito, mito, mito”.
Esta tietagem toda é algo muito novo na cabeça dele. Embora venha de uma devastadora votação que o reelegeu para o sétimo mandato no Rio de Janeiro (464 mil votos), até então o capitão reformado era apenas um deputado caricato do baixo clero da Câmara.
Gafes -  Em gesto que pode ser lido como de humildade, Bolsonaro foi logo avisando aos jornalistas que não tem domínio da temática agronegócio. E logo isso ficou patente. Ele não entendeu uma pergunta que citava o escoamento da safra.
O microfone de uma emissora de TV captou o áudio do “Mito” pedindo “cola” para Dilvo Grolli, que estava ao seu lado, para tentar compreender o termo “escoamento”.
Presente ao evento, o filho Eduardo Bolsonaro confundiu, em seu breve discurso carregado de “carioquês”, as expressões “transgênicos” com “transgêneros”. Mas saiu-se bem, depois. “Me atrapalhei aqui, mas não estou ensacando vento ainda”, declarou, para em seguida ouvir  a plateia gritar em uníssono: “Mitinho, mitinho, mitinho”.
Após a tietagem no Show, Bolsonaro “baixou” na Gastroclinica, onde foi atendido pelo doutor Sagae. O “Mito” estava com um probleminha de “evacuação”, sinônimo, a propósito, de escoamento. Ficou três horas sob observação.
Em tempo: Bolsonaro passou com um tanque sobre o Adelino Ribeiro, deputado cascavelense que organizou o PSL em 300 municípios do Paraná, e agora precisou entregar o comando da sigla para um indicado do “Mito”. Adelino e Alfredo Kaefer, outro notório integrante do partido, prestaram continência, mas estão de saída... Não aceitaram a patente de “soldados rasos” no partido no capitão.

Editorial

Bolsonaro é um candidato competitivo? Sem Lula para antagonizar ele perde força? Como será o desempenho dele nos debates? Suportará o primeiro round em um debate com o igualmente “sanguinário” Ciro Gomes? É nosso Tiririca da direita? São muitas as perguntas. Mas uma coisa é certa, trata-se do único candidato até o momento, que conseguiu empolgar uma galera louca para encontrar um salvador da pátria para chamar de seu.