Cascavel, Domingo, 25 de outubro de 2020

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Oração de Dom Hang

Saiba o que foi dito na “igreja” nova no alto da Tancredo
Postado em 11/12/2017

Igreja Universal do Reino da Havan? Igreja Mundial do Poder do Hang? O nome fica a critério de cada um. Quem presenciou o “esquenta” pré-inauguração da loja de Cascavel, na manhã de sábado, no andar superior da Havan, certamente não irá esquecer o culto corporativo que viu. E principalmente, o que ouviu.
Estava ali significativa parcela do PIB local, convidada a acompanhar a “reza”. No palco, o dono Luciano Hang, Ratinho, o apresentador do SBT, e alternadamente, o prefeito Paranhos, um ou outro gerente da loja. E até o Lourival Giansante, carinhosamente apresentado por Hang como “puxa-saco da Havan”.
A oração era para os funcionários da loja, todos vestidos de preto. As moças em trancinhas. A equipe já havia passado por outras “missas” antes. Durante toda semana, ensaiaram gritos de guerra.
“Quero que a Havan seja o parque de diversões de vocês. Que venham aqui se divertir todos os dias”, disse o dono da loja, vestido com a camiseta do FC Cascavel, sorrateiramente providenciada pelo presidente Valdinei Antonio da Silva.
“Quem quer dinheiro?”, perguntava “Dom Luciano” com a música do Silvio Santos ao fundo. Ao gesto afirmativo dos colaboradores, ele mesmo respondia: “Então vamos trabalhar!”.
Trabalhar é a palavra. Havan é como a rodoviária. Não apaga as luzes jamais. Abre todos os dias. Então por que tantas manifestações de fé das meninas de trança que irão labutar aos sábados, domingos e feriados? Uma resposta está na mística no entorno da empresa.
A Havan, sem anunciar os empregos para a loja de Cascavel, obteve mais de 50 candidatos por vaga. Grande parte deles, pela faixa etária observada, jovens universitários ingressando no primeiro emprego. São mais de 130 novos postos de trabalho, injetando algo em torno de R$ 400 mil mensais de massa salarial na economia local.
Quase 10 horas. O culto precisa terminar. As portas do térreo irão se abrir. Uma pequena multidão de “fiéis” aguarda ali para pagar o “dízimo”. As meninas de trança inclinam o corpo e fazem uma “ola” gritando o nome da Havan.
“Agora sim”, diz “Dom” Luciano: “se não formos bem como loja, já podemos botar um igreja neste local”. Então os 200 colaboradores descem repetindo mantras em voz alta para receber aos aplausos e gritos de guerra cada um dos clientes.
Nesta escola do Hang, Edir Macedo e Valdemiro “Chapeludo” não passam de modestos estagiários.


Editorial

Não espere construções sofisticadas da linha auto-ajuda no discurso do dono da Havan. O saber dele vem do fazer. Só uma pessoa pula e grita mais que as meninas de trança, ele próprio, o dono. “Quem acorda depois das 6 da manhã pode ter problemas cardíacos”, disse em Cascavel. Mas de onde vem a obsessão pelas 200 lojas e 26 mil empregos? “Eu poderia por tudo no banco e não me incomodar. Mas isso seria muito pequeno”. Falou, dom Luciano...