Cascavel, Terça-feira, 03 de agosto de 2021

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Reformas

Evandro Rogério Roman

Professor doutor pela Unicamp. Foi árbitro da FIFA, quando apitou grandes clássicos do futebol nacional e
internacional.
É deputado federal pelo PSD, membro da Frente Parlamentar da Agricultura.

O medo e a covardia

Um debate contaminado pelos números torturados

Publicado em: 22/12/2017

Os brasileiros estão fartos na guerra estatística da Previdência. De um lado está quem aponta no caos para amanhã, no dia seguinte em que o sistema fosse a voto e a reforma não passasse. De outro lado gente que torturou os números até que eles confessassem cenários delirantes, em que, de forma mágica o déficit desapareceria. Mais um pouquinho e seria possível até ampliar os benefícios.

Nem um, nem outro.  Estamos todos exaustos de números torturados, por esta razão entro neste diálogo com você por outro ângulo.  Ganhamos em longevidade, estamos vivendo mais e a taxa de natalidade caiu quase na mesma proporção. Significa mais tempo para pagar benefício, com menos gente recolhendo para a Previdência.

Os gráficos apontam esta tendência, confirmada a posterior pelo IBGE, faz décadas. Não podemos alegar que fomos surpreendidos. Faltou ação na hora certa. Faltou a coragem política de enfrentar a medida impopular no timing correto, ministrar o remédio amargo no momento em que fechou o diagnóstico.

Na Grécia, quando este tema entrou em debate,  os populistas e/ou beneficiados pelas distorções no sistema foram para cima. Após muita confusão na rua, confrontos entre manifestantes, a fumaça do gás lacrimogênio baixou. Restou então ao governo esquerdista sepultar seus dogmas ideológicos e elevar a idade mínima de aposentadoria imediatamente para 67 anos.

Se estávamos falando grego aqui, e a conversa está muito distante da realidade, vale lembrar  que somente na semana passada, os aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro receberam os salários de setembro! Uma parte deles, não recebeu ainda o 13º de 2016!

Para mim, Evandro, que serei submetido muito em breve ao escrutínio das urnas, seria mais simpático repetir os chavões do grego canhoto e ficar de bem com a opinião pública. Ou simplesmente silenciar e desaparecer no dia da votação.

Porém, nos tempos em que verguei o uniforme de árbitro de futebol, um esporte que alucina o torcedor, aprendi a respeitar uma frase do pacifista Mahatma Gandhi: “O medo tem alguma utilidade, já a covardia, nenhuma”.

Temos que ter a coragem de sustentar que a Previdência, da forma como está, é o maior programa de distribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos. Que a reforma proposta ataca privilégios e reduz o fosso entre o trabalhador da iniciativa privada e do setor público.

E que a política populista de passar a mão na cabeça do eleitor, para depois lhe subtrair a carteira, nos trouxe ao estágio caótico em que estamos.

Em tempo: aproveito a ocasião para lhe desejar um feliz e abençoado Natal,  com um 2018 de paz, trabalho e dignidade.