Cascavel, Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

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Jairo Eduardo

Jairo Eduardo Jornalista, criador e editor do Pitoco e cronista na Rádio Colmeia e Radio T. Interaja com o editor: pitoco@pitoco.com.br. WhatsApp:
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Nostálgico matraquear

Ao vivo e em preto e branco, jornalistas e escritores produzem textos de 20 linhas e 70 toques em mergulho no túnel do tempo, para espanto das crianç

Publicado em: 26/03/2019

“Tudo era apenas uma brincadeira, que foi crescendo...”. Assim dizia a melosa canção do Peninha dos anos 70. E assim nasceu um modesto projeto cultural dominical na Feira do Teatro.

O veterano jornalista Júlio Cezar Fernandes levou um equipamento exótico para a feira. Não era Samsung, nem Apple. Era uma Olivetti. A máquina de escrever (definição que soa estranha e parece mal descrever a engenhoca) chamou a atenção da criançada. Elas nunca tinham visto nada igual. “Isso que é tecnologia”, brincava o veterano. “É automática, no mesmo momento que teclamos já sai impresso”.

O ruído típico dos linotipos imprimindo letras em uma prosaica folha de papel traz saudosas lembranças para nós, jornalistas. O matraquear das redações era intenso, notadamente do meio da tarde para frente, quando os diários entravam no frenesi do que conhecíamos por “fechamento”, ou deadline - para trazer uma expressão estrangeira mais contemporânea.

A partir daquela estreia barulhenta na feira, Júlio foi convidado a trazer sempre consigo a Olivetti. O projeto “Feira de Letras” nascia com um conceito simples e barato: um escritor é convidado para, ali, ao vivo e em preto e branco, produzir um texto de 20 linhas de 70 toques cada, medidas de uma lauda no jornalismo.

Já deixaram suas letrinhas ali os jornalistas Estefano Anzoategui (pioneiro), Luciano Luc-Luc e o escritor Vander Piaia. Há um desafio adicional: concentrar-se em meio a tanta gente interrompendo o escriba e o murmurar de espanto das novas gerações.

Certamente, em algum momento, os textos produzidos na feira serão condensados em uma coletânea, e todos poderemos saber que letrinhas historiadores, escritores e jornalistas imprimiram em sulfite neste mergulho nostálgico do tempo que não volta mais... ou volta?