Cascavel, Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Colunas

Página 13

Jairo Eduardo

Jairo Eduardo Jornalista, criador e editor do Pitoco e cronista na Rádio Colmeia e Radio T. Interaja com o editor: pitoco@pitoco.com.br. WhatsApp:
45 99113 1313

Nós, os piratas

"Abordar navios mercantes/Invadir, pilhar, tomar o que é nosso/Pirataria nas ondas do rádio/Havia alguma coisa errada com o rei..."

Publicado em: 22/02/2019

Dia desses o presidente Bolsonaro apareceu de camiseta do Palmeiras, despachando no Palácio do Planalto. Havia alguma coisa errada com o “rei”. Logo os repórteres abelhudos perceberam que se tratava de um “fake”, uma camiseta pirata, falsificada.

Foi o suficiente para pirar a rede social. Se eu fosse um sarcástico bolsonarista, diria: “Prefiro o Jair com uma camiseta pirata do Palmeiras do que o Lula com uma original do Corinthians”. Se eu fosse um anti-bolsonarista, diria: “O presidente precisa cumprir minimamente a liturgia do cargo, utilizando-se de uma indumentária mais sóbria”.

E acrescentaria: falsificações, contrabando e pirataria trouxeram prejuízos de R$ 145 bilhões em perda de arrecadação tributária e de faturamento de industrias legalmente estabelecidas no Brasil, em 2017, últimos dados disponíveis.

O cálculo é da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), que reúne empresas de vários setores dispostas a enfrentar as práticas ilegais. De toda forma, de um lado de outro da trincheira, não é motivo para guerras retóricas nas redes. Mas é fato que nós brasileiros, me incluo nisso, não nos preocupamos muito com a comunicação não verbal, aquela que está nos gestos, expressões faciais, indumentária.

Inclusive, vamos às urnas ou a manifestações envergando a camiseta da CBF, sem muitas vezes percebermos que estamos associando nossa imagem e o gesto em si a figuras impolutas como Ricardo Teixeira, João Havelange, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, notórios malandros do mundo da bola.

Em tempo: Alguns disseram na rede social: “Que bobagem perder tempo noticiando isso...”. Pois é,tudo o que o presidente falar, deixar de falar, vestir ou respirar, será alvo de notícia. E ele sabia que assim seria quando se candidatou. Livres mesmo de repórteres enxeridosestão os presidentes de Cuba, Coreia do Norte,Venezuela e China. Lá ninguém pode reparar nos panosdos excelentíssimos mandatários...