Cascavel, Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

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Jairo Eduardo

Jairo Eduardo Jornalista, criador e editor do Pitoco e cronista na Rádio Colmeia e Radio T. Interaja com o editor: pitoco@pitoco.com.br. WhatsApp:
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Negar não basta

“Lugar onde todos têm razão, melhor não ter nenhuma. Haja hoje para tanto ontem”, dizia Leminski, o poeta curitibano

Publicado em: 23/10/2018

Para alguns eleitores, é suficiente saber o que o candidato pretende destruir. “Eu sou o anti-Bolsonaro.” Pronto. Ganhou o voto do cara da esquerda. “Eu sou o anti-PT.” Certo, ganhou o voto no mapa azul.

Mas há quem consiga raciocinar fora das bolhas produzidas na polarização. Pesquisa divulgada no último dia 12 pela “Veja” demonstra que 44% dos eleitores brasileiros não gostaram do tom da campanha no primeiro turno.

Entre eles, talvez, muitos tenham sido empurrados a votar no anti isso ou anti aquilo, o chamado voto útil, quase uma imposição das franjas radicalizadas do sistema.

Esses eleitores, somados a uma parcela dos votos sufragados nos candidatos derrotados e mesmo alguns que anularam, “branquearam” ou se abstiveram, podem pertencer a um outro grupo.

O grupo alternativo é composto daqueles eleitores que não se contentam em saber somente o que o candidato quer destruir. Esse segmento, provavelmente minoritário,  ambiciona saber o que o candidato quer construir.

 O eleitor exigente pede algo mais. Algo que refute o “esse não”, “aquele não”, jargões fáceis embalados em fósseis do milênio passado, como o comunismo ou o fascismo, capaz de produzir milhões de amalucadas teorias da conspiração.

“Tá ok, você é contra isso, aquilo e aquele outro. Isso eu já sei. Agora seja propositivo, construtivo, diga algo do que você é favor, e mostre-nos como irá chegar a esse objetivo”, pede o eleitor do sim.

Isso representa um olhar pragmático para frente, sem arrogar-se dono da verdade.  Já dizia o poeta paranaense Paulo Leminski: “Lugar onde todos têm razão, melhor não ter nenhuma. Haja hoje pra tanto ontem...”

Em tempo: Lourival Neves (in memoriam) tinha um programa na Rádio Colmeia nos anos 1980, em que entrevistava ouvintes ao vivo. Era proibido dizer “não” ou “né”. “Não diga não nem né”, era o nome do programa. As pessoas tinham terríveis dificuldades para evitar o “não” no embate com o “Pantera”, apelido de Lourival.  

Atuar no “sim” construtivo é bem mais trabalhoso que navegar no “não” vazio e destrutivo.