Cascavel, Domingo, 17 de novembro de 2019

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Jairo Eduardo

Jairo Eduardo Jornalista, criador e editor do Pitoco e cronista na Rádio Colmeia e Radio T. Interaja com o editor: pitoco@pitoco.com.br. WhatsApp:
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Virando a página

Por que os presidenciáveis insistem em olhar para trás? O passado deixa aprendizados, mas não pode ser usado para assombrar o presente

Publicado em: 27/08/2018

No momento em que você, leitor (a) virar está página, ela, a página, é passado. Já era. Embora o conteúdo possa ficar em sua memória por algum tempo e até mesmo mexer com algumas de suas convicções, você não vai encontrar o mesmo texto na página seguinte.

O passado deixa aprendizados, mas não pode ser usado para assombrar o presente de forma a gerar imobilismo pelo medo. A agenda presidencial, nos extremos, quer forçar uma polarização entre “capitalistas selvagens x socialistas” ou “comunistas x nazifascistas”.

Estamos gastando energia em uma pauta que se esfarelou em poeira junto com a queda do Muro de Berlim, junto com a perestroika do Gorbachev, a quem coube martelar o último prego no caixão da União Soviética, protagonista da guerra fria. É como se o novo presidente da República fosse eleito para ocupar seus dias debatendo com conselheiros de cabelos pintados pelo luar do tempo as teses de Marx, Hitler ou Adam Smith.

O mundo é outro, senhores. O IPhone X, mais recente modelo da Apple, tem 14,4 mil vezes o poder de processamento do computador responsável pelos cálculos da missão espacial que enviou o primeiro homem à Lua a mando do Kennedy em 1969, auge da guerra fria.

Então, quando (e se) o Geraldo, Jair, Marina, Ciro, Fernando, João ou qualquer outro sentar-se aquela cadeira estofada no terceiro andar do Planalto, não terá sobre a mesa um boletim da inteligência quantificando brasileiros comunistas que trabalham para derrubar o capitalismo. Mas terá uma fatura gigante que aponta para um déficit em 2019 de R$ 140 bilhões. Terá um gráfico mostrando 13 milhões de brasileiros na fila do desemprego. Terá na tela do PC em tempo real o buraco bilionário da Previdência afundando a cada minuto.

Então o presidente da República receberá um choque de realidade. Governar não é debate ideológico na rede social. Não é coxinha x mortadela. É ir para além do diagnóstico. É prescrever soluções práticas, para os quais discursos decorados para nichos radicalizados têm zero de eficácia. Já disse, em outras palavras, o célebre prefeito Odorico Paraguaçu: chega de iniciativas ideológicas, queremos “acabativas” pragmáticas. Virem a página, senhores presidenciáveis.