Cascavel, Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

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Matheus B. Sobocinski

Consultor de empresas e empreendedor

Hora da disruptura

Mudou tudo de novo. Sua empresa está preparada?

Publicado em: 17/05/2017

Chegamos, mais uma vez, a um momento de disruptura total dos meios de produção e o surgimento de um novo formato de consumo. Os negócios precisarão mudar. Sua empresa está preparada?

A forma com que os consumidores se relacionam com os serviços e produtos adquiridos está sendo redimensionada mais rapidamente do que a maioria de nós pode compreender. Estamos diante de um momento sublime onde uma pequena empresa do interior do país poderá desbancar um grande player global, simplesmente porque conseguiu se adaptar mais rapidamente aos novos meios de consumo.

Milhões de empregos serão perdidos? Mas novas tecnologias serão desenvolvidas e outros milhões de empregos serão criados pela simples mudança de hábito no consumo da população que poderá almejar novos produtos e serviços ainda nem desenvolvidos. Foi assim após a primeira revolução industrial e será assim daqui por diante.

Mas você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com a minha empresa? Bem, as novas tecnologias e tendências de consumo irão, em breve, mudar completamente a forma como as empresas oferecem seus produtos. Há muito tempo, o consumidor comprava algo em razão de sua função ou de sua forma. Mais recentemente, as duas coisas passaram a se confundir. Atualmente, as marcas que consumimos é que dizem quem somos. Consumo, logo existo.

Mas esse modelo, focado em produzir cada vez mais produtos para manter o constante crescimento das corporações, está acabando. O consumidor do futuro passará a adquirir não somente um produto, mas uma visão de mundo que se alinhe com sua ética, com seus princípios, deixando de obedecer as imposições midiáticas, que o faziam se sentir deslocado ou inseguro, diante da necessidade de pertencer a um grupo que consome os mesmos produtos. O novo consumidor já não precisa mais se identificar com a maioria. Ele passará a fazer as escolhas mais sensatas para si e para a humanidade.

Afinal, ninguém mais aguenta ter de suar a vida toda com o intuito de adquirir “coisas” que não fazem o menor sentido, só para não destoar do grupo. Eles irão escolher experiências que vão muito além do produto.

E essa realidade já está mais parto do que você imagina. A economia compartilhada cresce a passos largos. Hoje é possível alugar um apartamento/quarto em qualquer lugar do mundo, por um preço consideravelmente menor do que uma diária de hotel. Aplicativos de transporte estão tornando a aquisição de veículos inviável. Aliás, você já fez o cálculo de quanto se investe em um carro, para utilizá-lo durante uma ou duas horas por dia? Em breve os veículos estarão disponíveis nas ruas para uso compartilhado, por corrida. Muito mais barato e sensato, diga-se de passagem.

Por isso, as empresas precisam estar alinhadas com os novos padrões de consumo, pensando não somente na satisfação egoística de seu cliente, mas também no impacto que a produção/aquisição de determinados produtos pode trazer para a coletividade. É passar a enxergar além do lucro, é deixar seu legado, sua impressão digital, que vai muito além de uma bela campanha de marketing.

A mesma revolução que tirou milhões de telespectadores da frente da televisão em breve será sentida em todas as áreas da produção humana, criando um meio de consumo mais horizontal, de menores proporções, mais pulverizado. Talvez você volte a comprar no mercadinho do bairro, que, agora, vende produtos orgânicos.

Há quem diga que o consumo será modulado de tal forma que passaremos a consumir produtos que ajudamos a construir. Estaremos, portanto, consumidores?
Você duvida?