Cascavel, Terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Ética

Guido Bresolin Junior

Presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credicapital, presidente do
Conselho Superior da Faciap e vice-presidente da CACB.

Valores x omissão

“Não eduque seu filho para ser rico; eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o valor das coisas e não o seu preço” (Max Gehring)

Publicado em: 24/02/2018

A humanidade experimenta um momento decisivo em seu processo de evolução universal. O futuro jamais esteve tão próximo e, às vezes, tem-se a sensação de que ele já passou tamanha a velocidade com que as coisas acontecem e são disseminadas. A instantaneidade muda comportamentos e cria cenários que até pouco tempo eram inimagináveis e sempre à porta dos nossos olhos. Há, entretanto, alguns elementos que resistem à força do tempo e das tecnologias. Entre esses estão os valores, a base elementar da ética que move o homem e as instituições que ele criou. Alguns valores são há séculos aperfeiçoados pelo ser que pensa justamente devido à sua importância na composição da essência social. Mas o que leva alguém a abrir mão de valores que um dia defendeu? Que forças são mais importantes do que a convicção que forma o caráter e dá vida às atitudes?

O ex-presidente Lula é um exemplo de mudanças bruscas de comportamento que costumam alcançar as pessoas, principalmente aquelas que ascendem muito além do que estimavam. Em recente matéria de capa, a revista Veja colocou duas fotografias do ex-presidente uma ao lado da outra. Na primeira, o Lula com cabelo escuro e ar confiante, do sindicalista dos anos de 1970 que surgia como esperança de dias melhores aos trabalhadores. Na outra, a imagem de uma pessoa de rosto cansado, cabelos ralos e olhar desconfiando. As duas fotografias repousam acima de um título que indaga sem sutilezas: O que falta para Lula ser preso? Diante de um mundo em forte mudança não é mais possível aceitar que líderes da política se isolem em seus próprios pensamentos, que se entreguem ao ego ou que se deixem seduzir pelas benesses do jogo do poder. Com a proximidade das eleições de outubro jamais foi tão importante pesar caráter e atitudes antes de escolher em quem votar.

As pessoas não suportam mais corruptos e atos que firam a moral e os valores. Exemplo disso é o de um pai, nos Estados Unidos, que, desesperado, decidiu tentar fazer justiça contra as próprias mãos contra o médico que abusou das três filhas dele. Líderes de verdade não podem se calar ou se esconder atrás da omissão e de mentiras. Ninguém, nem tão pouco o Papa, pode aceitar atos que atinjam a honra e a essência do que as pessoas têm de mais nobre e caro. A pedofilia não pode mais ser tolerada pela igreja. É chegada a hora de o eleitor brasileiro votar nos valores dos políticos brasileiros. O debate precisa ser amadurecido, valorizado e se tornar tão popular e frequentado quanto as avenidas tomadas pelo Carnaval. Para pensar em um novo Brasil, e com a ajuda dos valores e da ética, é imprescindível recompor e reconquistar o sentido pleno de confiança.

 

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