Cascavel, Terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Ética

Guido Bresolin Junior

Presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credicapital, presidente do
Conselho Superior da Faciap e vice-presidente da CACB.

Indignação e mudança

Por que a Faciap confrontou a sanha arrecadadora do Palácio Iguaçu

Publicado em: 02/02/2018

Uma situação recente, que colocou em lados distintos áreas do setor produtivo e o governo estadual, fez com que eu refletisse longamente sobre temas nevrálgicos da atualidade brasileira. Do quanto certas coisas estão distorcidas e representam o Brasil que temos hoje. País que apesar de continental e de povo hospitaleiro está tomado por feridas que não cicatrizam.

A Faciap, entidade que tive a honra de presidir, ergueu-se bravamente contra a intenção do governo do Paraná de elevar a já absurda carga de impostos. Em defesa da livre iniciativa, a Federação simplesmente disse não. No embate ficou claro que há distorções que precisam ser corrigidas para que o Paraná e o Brasil possam seguir no compasso do mundo contemporâneo.

Penso que o poder Executivo existe para colocar em prática programas e ações que gradualmente preparem o País para os passos seguintes de sua jornada ao desenvolvimento. A infraestrutura, além de educação e saúde de qualidade, é indispensável para dar competitividade e dinâmica à economia.

Mas o que se vê é um governo com enorme apetite arrecadador. E que essas somas vultosas são simplesmente sugadas por uma máquina cheia de excessos e mordomias. Não é com mais impostos que se cria uma economia forte, dinâmica e de oportunidades. E sim com um conjunto de ações responsáveis e confiáveis.

O Legislativo não pode e não deve cegamente se render às seduções do Executivo. A função dele é zelar pela elaboração de leis segundo os interesses da sociedade. As votações e posições devem se pautar nos reclames públicos e não em interesses de governo. Para que então existem parlamentares se não para defender a sociedade em questões fundamentais ao presente e ao futuro?

Já o Judiciário deve, com lisura, serenidade e competência, aplicar as leis, técnica e responsavelmente. O que o noticiário mostra gera dúvidas e questionamentos. Há sinais de embates, de posições absolutamente controversas e até colocadas em suspeição por leigos devido à distância do que se espera e se entende por Justiça.

Essa esfera, bem como seus membros, precisa fundamentalmente passar ao largo da corrupção, comodismo, conveniências e nepotismo. É a capacidade de indignação que leva à cobrança, que transforma uma coletividade. Mas do jeito que as coisas estão percebe-se que é cada vez menor o número daqueles que nutrem esse sentimento. Mas, sem isso, teremos nos rendido ao caos.

A hora é de se importar, sim, de questionar e de defender interesses legítimos pautados na ética, respeito, trabalho e instituições sólidas, justas e verdadeiras. Que o exemplo da Faciap, que se ergueu diante de um abuso que não é mais aceitável, invada cada um de nós e que, a partir disso, possamos exteriorizar sentimentos puros de cidadania e estadismo.