Cascavel, Terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Ética

Guido Bresolin Junior

Presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credicapital, presidente do
Conselho Superior da Faciap e vice-presidente da CACB.

Quem sucederá Temer?

Os pré-candidatos, cada um a seu modo, querem cooperar para transformar o Brasil

Publicado em: 22/12/2017

Ouvir o que as pessoas têm a dizer, o que pensam e esperam ainda é uma das formas mais apuradas para entender o nosso tempo. Dias atrás, em São Paulo, Jadir Saraiva de Rezende e eu tivemos o privilégio de participar de um evento dos mais esclarecedores. Centenas de líderes de todo o Brasil prestigiaram o fórum Páginas Amarelas, organizado pela Veja/Abril, uma das maiores editoras nacionais. Lá, todos estavam ávidos para tentar decifrar alguns dos enigmas de uma das eleições presidenciais mais importantes da jovem democracia brasileira.

Ao lado de nomes como Luís Roberto Barroso, Sérgio Moro e Jô Soares, pré-candidatos à presidência da República puderam expor algumas ideias a um grupo seleto de brasileiros. Enquanto Barroso desfilou um bem construído discurso pelo respeito às leis e às instituições, Jô usou seu talento para dar pitadas de humor a questões agudas da vida nacional. Moro falou da Lava Jato e das mudanças possíveis advindas de uma das investigações mais contundentes da história do Brasil; entre elas, sugeriu uma legislação que coloque fim no loteamento de cargos públicos promovido pelo poder executivo junto aos partidos, maior fonte de corrupção.

Tentei, além de ouvir aqueles líderes tão importantes da contemporaneidade brasileira, entender um pouco mais sobre a personalidade de cada. Tive surpresas e algumas confirmações. Chamou atenção a ausência de Lula, que aparece na dianteira em algumas pesquisas. Lula é dado, com um forte grau de certeza, como carta fora do baralho. Pesa contra ele a condenação proferida pelo juiz Sérgio Moro, na Operação Lava Jato, que se encontra no trâmite de apelação pelo réu, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Para Moro, o caso é julgado por juízes sérios, que poderão condená-lo ou absolvê-lo.

Marina Silva é o retrato de mais do mesmo. Dona de uma postura ideológica inconfundível, Marina demonstra ser incapaz de renunciar ao pragmatismo para somar a favor de uma agenda para a reconstrução do Brasil. Um time de jornalistas de primeira grandeza agiu com firmeza para extrair o melhor de cada candidato. Enquanto Moro afirmava não ter o mínimo perfil para a vida política, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles reafirmavam sua disposição de concorrer à sucessão de Michel Temer. Não há como negar o preparo de Alckmin e Meirelles, respectivamente, nas artes da gestão pública, política e finanças.

A cara nova de João Dória é, para a maioria dos que lá estiveram, a esperança de que o País sairá do atoleiro. Embora tenha vontade de concorrer, não há como ignorar que o maior desafio de Dória está no seu próprio quintal, o PSDB. Rodrigo Maia, o presidente da Câmara Federal, foi contido e garantiu que não é a bola da vez para as eleições presidenciais de 2018. Embora seu enorme talento para disfarçar sentimentos, Maia me pareceu sincero ao declinar da posição de pré-candidato.

O empresário e apresentador Luciano Huck disse que tem estudado muito sobre política e economia. E que suas andanças pelo País permitem que conheça uma realidade compreendida por poucos. Ele assegurou que esse saber será empregado em sua atuação cidadã e não na esfera político-partidária. Para mim, a melhor impressão foi causada por Bolsonaro. Em seu sétimo mandato de deputado federal, herdeiro do regime militar, profundo conhecedor de governos de coalisão e do loteamento de cargos públicos necessário para governar, pôde falar com serenidade e tranquilidade.

Longe das polêmicas e disputas que trava nas redes sociais com representantes da esquerda, Bolsonaro mostrou-se um estadista pronto para defender virtudes e interesses nacionais. Porém, para que possa angariar o número de votos necessário, precisará desconstruir a imagem de extrema direita e homem rude, expondo à sociedade seu maior valor, a ética.  É difícil, a dez meses das eleições, fazer prognósticos. Porém, se eu tivesse que investir minhas fichas naquele que poderá ser o próximo presidente então marcaria Bolsonaro e Meirelles, que possui experiência mas é desconhecido por grande parte da sociedade, ou Alckmin, um politico de carreira sólida.

O fórum das Páginas Amarelas, promovido por Veja/Abril, foi um presente a brasileiros que, como os pré-candidatos e cada um a seu modo, querem cooperar para transformar o Brasil em uma das principais potências do mundo. Senhores, façam as suas apostas!