Cascavel, Quinta-feira, 13 de maio de 2021

Colunas

Ensaio

Univaldo Etsuo Sagae

Cirurgião do aparelho digestivo. Corintiano fanático. Brasileiro com muita honra

Legislativo, mostre a sua cara!

Democracia jovem, deputados adolescentes

Publicado em: 22/08/2017

O Brasil tem uma democracia jovem, onde a divisão dos três poderes é fundamental para seu fortalecimento; porém, vivemos uma crise inédita, jamais vista, onde o sistema tem sido colocado em xeque sem descanso, em tempo integral.

Temos um Executivo estagnado devido às corrupções afloradas com as declarações de Joesley, tornando a gestão Temer inoperante, sem qualquer perspectiva de governança. O Legislativo - também corrupto - submisso ao Executivo e ameaçado pelo Judiciário, encontra-se letárgico e aprisionado, como se estivesse na Fundação Casa, antiga FEBEM, condenado e preso pela opinião pública, aguardando uma decisão do Ministério Público e de seus eleitores.

Os infratores do Legislativo, em sua maioria, são políticos que podemos reportar à juventude (primeiro mandato), período em que se comete muitos erros, abusos, equívocos e delitos. Por outro lado, existe uma política específica para punir esses “adolescentes”, de natureza mais amena. Perceba que a ação para punir menores e políticos é sempre mais branda do que a voltada para adultos e para o cidadão comum. Porém, os efeitos da punição, quando há percepção do erro, podem reverter em aprendizado na vida adulta (ao menos é o que vivenciamos e esperamos que ocorra com nossos filhos). Tratemos, pois, nosso Legislativo como “adolescentes” nesse momento decisivo que vivemos, no qual eles têm que optar por qual caminho seguirão, já que suas escolhas irão refletir em sua vida adulta. E na de todos nós.

Há dois caminhos possíveis de serem percorridos: o do desvario, seguindo os passos de caciques como Lula, Temer, Dirceu, Gedel, Cunha e Jucá, entre tantos outros, onde as paisagens são tentadoramente ilusórias desenhadas com o pincel permanente da corrupção, ou o caminho do despertar, em que irão acordar e ter consciência de que a decisão correta pode representar a salvação para o seu futuro e o de seu país.

Legislar é organizar o futuro, formular regras, normas e leis que possam dar condições para um país crescer econômica e socialmente, de maneira equilibrada, criando políticas justas para todas as classes, indistintamente. Temos um ano e meio para que o Brasil seja governado por um sistema parlamentar, escolhendo um primeiro-ministro (presidente) – quer seja o Maia ou outro que detenha nas mãos, liderança, poder e vontade para promover mudanças radicais e profundas, realizando as reformas previdenciária, política e judiciária, indicando assim um novo e decente rumo para o nosso Brasil.

O novo líder precisa atrair esses “adolescentes” promissores, com suas qualidades e potenciais, unindo-os a todas as frentes, certos de que neste período de um ano e meio, salvando o país, muitos desses “adolescentes” com seus erros juvenis - compreensíveis na nova democracia – poderão ser punidos de forma amena. Esses jovens parlamentares devem fazer a mudança que o Brasil tanto precisa, pois a história irá reconhecer seus feitos, mesmo que a própria Justiça não o faça.

Estarei sendo ingênuo ou sonhador? Será que conseguiremos formar uma maioria de parlamentares honestos, outros arrependidos, com formação patriótica e visão de futuro, ou a maioria de despreparados e interesseiros vencerá, e continuaremos sendo a nação das leis e projetos paroquiais de interesse de grupos e classes que paralisam este país?

Talvez. Talvez seja ingenuidade de minha parte. O fato é que a esperança é o que move o brasileiro. Se não acreditarmos nesta jovem democracia e lutarmos por ela, veremos com tristeza a transformação deste gigante chamado Brasil em outra Venezuela...