Cascavel, Domingo, 23 de fevereiro de 2020

Colunas

Educação

Vander Piaia

Economista, professor da Unioeste e escritor

A Cascavel exportadora

Oscilações enlouquecem a biruta do aeroporto

Publicado em: 24/02/2017

No meio da euforia serotônica  do agronegócio o ano de 2016 demonstrou aos ufanistas cascavelenses que o comércio internacional é uma via majestosa  porém incerta. Mudanças nos humores do dólar e dos mercados externos fazem a pauta das exportações da Capital do Oeste oscilarem como a biruta do nosso aeroporto. 

Cascavel ficou em 8º lugar na lista dos principais municípios exportadores no Paraná, perdeu duas posições e viu seu saldo bruto cair “apenas” 31,59%. Em termos de verdinhas, isto significou menos 134 milhões de dólares, ou algo em torno de meio bilhão de reais pelas cotações da época. 

Descontando-se as importações, nas quais também não somos fracos, ainda restou um saldo de 123 milhões de verdinhas.

Estes dados preocupam? De forma geral não colocam em risco a estável composição do PIB local. Uma das vantagens comparativas da “Capital do Oeste’ é possuir um setor primário robusto (a agricultura), um secundário (serviços e comercio em geral) muito desenvolvido e um terciário (indústrias) ainda na sua adolescência, ou seja, crescendo. 

Na pauta das exportações a prevalência do agronegócio é obvia (73%); seguido por adubos e fertilizantes (14%) e metal mecânica (13%).

O interessante é que nossos principais compradores estão do outro lado do mundo, falam mandarim e se dizem comunistas (mas ninguém acredita). Não fossem eles seriamos um pouco mais pobres, ou um pouco menos ricos. 

Como prova de que o comércio internacional pode ser uma excitante gangorra, as exportações cascavelenses para a China deste janeiro deram um salto com relação a janeiro anterior, razão suficiente para se esperar um ano profícuo e comichões de felicidade na ousada turma do agronegócio.