Cascavel, Domingo, 29 de março de 2020

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Direito

Lauri Silva

Advogado criminalista graduado pela UEPG e professor universitário

Prisioneiro da liberdade

“Advogado criminal é igual caixão, você vai precisar de um”

Publicado em: 20/06/2017

Criar liames, vislumbrar brechas, escrever, deletar, argumentar, de repente... – Concessão do writ! Yes! Dentre tantas, mais uma!

Por óbvio, a vida de um advogado criminalista está longe de ser pacata e imersa em calmaria, todavia, em meio a tantos problemas por resolver, existem as evidentes e honrosas recompensas, sendo que de fato não há nada mais gratificante que sair vencedor de uma causa aparentemente perdida, ou perdida de fato.

Aos olhos de muitos somos a ralé, em razão da seguinte frase que ecoa por séculos no linguajar popular: “Lá vêm os portas de cadeia, eles só defendem bandido”.

Porém, sempre que ouço a referida frase pejorativa sobre nossa classe de profissionais, solto outra com muito mais efeito e cheia de impacto, qual seja: “Advogado criminal é igual caixão,  você vai precisar de um”. Talvez seja um pouco mórbida; todavia, é abarrotada de verdade e faz qualquer um refletir sobre o seu sentido.

Particularmente abdiquei noites de sono em dedicação aos estudos. Fosse na universidade, fosse na solução de um caso concreto, renunciei a tempo com meus filhos, perdi um pouco da minha saúde física e mental, porém vitórias também fizeram e fazem parte do meu currículo/histórico.

Talvez uma coisa não compense a outra, mas diante do livre arbítrio foi isso que escolhi, e em contrapartida me tornei um prisioneiro da liberdade.

Escravo da liberdade alheia, isso por si só já traz certa inquietude a quem escuta, e, como não bastasse, há uma competição nem um pouco saudável entre os profissionais que compõem o ramo do direito criminal.

Isso porque alguns nobres colegas advogados, com toda certeza desconhecedores da fórmula utilizada para se solidificarem na carreira criminal, usam da “esperteza” para angariar clientela e, por vezes, tentam denegrir a imagem alheia em detrimento da sua própria, esquecendo-se que o universo é pura inteligência, abundante e paradoxal, feito para todos serem ganhadores. No entanto, a mesquinharia aviltante não lhes deixa enxergar que quem planta vento, colhe tempestade, ao passo que é o próprio tempo que se encarrega de atentar-se com certas criaturas, as quais chegam ao ramo criminal revestidas de relâmpago, fazem barulho, mas não se solidificam, ou seja não conquistam espaço e... bye bye!

Não obstante isso, não é de assustar que a fama dos advogados criminalistas não seja a das melhores dentre as inúmeras profissões, pois, conforme dito acima, alguns  utilizam-se da torpeza para momentaneamente “se darem bem”, sendo consequentemente eliminados do mercado. No entanto, esses “profissionais” acabam por fazer a cama em que outros terão que deitar, afinal, por aqui todos pagamos o mesmo preço.

Sabendo disso, e em virtude da educação que recebi em casa de meus amados e falecidos pais, pauto meu trabalho na ética e moralidade, as quais são emanadas do código de ética e disciplina, bem como nos princípios basilares do direito, respeitando as famílias e todos os seus integrantes.

Baseio-me ainda no ser humano em sua forma mais ampla, respeitando sua dignidade e garantindo a plenitude dos seus direitos, não prometendo nada além de um excelente trabalho.