Cascavel, Sábado, 22 de setembro de 2018

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Requião, fevereiro de 2027

Se reeleito e se completar o mandato, senador terá 86 anos de idade; eleitor ameaça reeleger 90% do Senado

Você vota no Requião, como 40% daqueles que já estão decididos no Paraná, segundo o Ibope? Você pode estar votando no Luiz Fernando Dellazari, o suplente dele, cidadão que apresentaremos neste texto mais adiante. Da mesma forma, se votar em Beto Richa, o segundo colocado na mesma pesquisa com 30% das intenções, pode estar votando em Nelson Padovani. Bem, esse dispensa apresentações, é bem conhecido por aqui.
Dos 81 senadores no exercício do mandato hoje, 17 são suplentes. São os senadores sem votos. Delazari pode substituir Requião por uma questão biológica. Se eleito, o ex-governador assume o novo mandato em janeiro de 2019 e no mês seguinte completa 78 anos. Se concluir o mandato e decidir largar o osso no final de 2026, estará às vésperas de completar 86 anos, em fevereiro de 2027.
Padovani pode herdar a cadeira de Richa por outra razão. O ex-governador responde processos na Justiça que já lhe renderam uma condenação em segunda instância, fator que – se confirmado após os recursos - lhe subtrai o mandato. A propósito, o nome de Richa já está incluso na lista divulgada pelo Ministério Público eleitoral, requerendo o indeferimento do registro da candidatura dele.
Mesmo de sempre - Dá para acreditar no eleitor quando ele fala em mudança no “Brasil que eu Quero” do Jornal Nacional? Não dá. Ibope e DataFolha, mostram que em 23 estados pesquisados, 25 dos 29 senadores que concorrerem a reeleição largaram na frente e são favoritos a reeleição.
Significa dizer que, mantida esta tendência, 90% dos senadores serão reeleitos para mais longos oito anos de mandato. Entre os favoritos estão alguns dos nomes mais envolvidos na Lava Jato e no assalto a Petrobrás: Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão, Jader Barbalho, Benedito de Lira e Ciro Nogueira. Mudanças? Onde? Se o eleitor não mudar, o Brasil não muda.
Em tempo: Na pesquisa espontânea para o Senado, 75% não sabem em quem votar ou não respondem. Brancos e nulos são 17%. Ou seja, ninguém tá garantido. Na eleição anterior, em 2010, Requião foi eleito por muito pouco, 1,7%. Ele fez 24,8% dos votos. Quase perdeu a cadeira para Gustavo Fruet, que fez 23,1%.

O número

R$ 64,2 mil mensais é o rendimento total do senador Requião. Se perder a eleição para o Senado, deixará de receber R$ 33,7 mil, e terá que se virar somente com os R$ 30,4 mil que recebe como ex-governador do Paraná.

 

Rei Delazari
Sangue azul na suplência de Roberto Requião. Luiz Fernando Delazari veio do Ministério Público, foi secretário de Segurança do Paraná no governo do longevo emedebista. Visitando os arquivos do Pitoco, edição número 849, de 23 de março de 2004, é possível encontra uma passagem folclórica do suplente de Requião por Cascavel.
A edição repercutia uma brincadeira que Delazari fez, na ocasião chefiando todo o efetivo da Polícia Militar e Civil, quando participou de reuniões em Cascavel com prefeitos da Amop e empresários da Acic. Em ambas as ocasiões, ele assinou a lista de presença com o nome do cantor Roberto Carlos. “Foi um ato infantil e irresponsável”, disse na época o presidente da Amop, Edgar Bueno. “Brincou com documento oficiais”, lascou Elio Rush, deputado que fazia oposição ao requianismo. “Esse pessoal não tem senso de humor”, declarou na época Luiz Carlos Delazari, pai do “Roberto Carlos”, suavizando o ato do filho.
 Em tempo: a pesquisa Ibope mencionada nesta edição foi contratada pela RPC e ouviu 1008 eleitores entre 19 e 21 de agosto. Margem de erro: 3 pontos percentuais; Registro no TRE: PR-04869/2018; Registro no TSE: BR-06574/2018; nível de confiança: 95%.