Cascavel, Sábado, 22 de setembro de 2018

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Palácios ao chão

É cabível tirar a família presidencial do Alvorada para simbolizar o fim dos privilégios?

O Palácio da Alvorada é a residência oficial do presidente da República. Situado às margens do Lago Paranoá, é um símbolo da opulência e luxo oferecidos à primeira família brasileira.

Revestido em mármore, vedada por cortinas de vidro, a residência encastela o político mais importante do país. E é representativa da suntuosidade e gastança do serviço público brasileiro com suas “autoridades”.

O edifício tem 7 mil metros quadrados distribuídos em três andares: subsolo, térreo e segundo andar. O nível do porão abriga o cinema, sala de jogos, cozinha, lavanderia, centro médico e administração do edifício. (veja fotos abaixo).

Nada disso parece suficiente. Em 2004 a então primeira dama, Marisa Letícia gastou R$ 18,4 milhões em extensa reforma (dinheiro doado pela iniciativa privada).

Somando os custos de manutenção do Alvorada e os gastos da presidência da República, é possível afirmar que a estrutura custa aos pagadores de impostos o triplo do que os britânicos gastam com os palácios da rainha Elizabeth II.

O núcleo administrativo da presidência no Brasil, incluindo seus “castelos” desenhados por Niemeyer, custam R$ 746 milhões/ano. Já manter Casa Real britânica custa R$ 196 milhões.

Portanto, nossos reis e rainhas que saem das urnas são mais caros que a realeza. Michel Temer achou o Alvorada “grande demais, sem jeito de casa”. E preferiu ficar no Jaburu, outro palacete digno dos nobres de sangue azul.

Fechado, o Alvorada consumiu quase R$ 6 milhões em manutenção nos últimos 14 meses, conforme informa o jornal “O Globo”.

Na visita à Cascavel, no último dia 13, o candidato a presidente pelo Partido Novo, João Amoêdo, disse que transformaria o Alvorada em um museu, e moraria com a família em uma casa comum.

“Homem público deve servir à nação, e não servir-se dela com privilégios e mordomias. O presidente precisa dar o exemplo”, repetiu ele.

Vai sonhando, João. Talvez esse discurso não comova nem o “João Ninguém”, aquele despossuído de tudo. Já dizia Joãosinho 30, entre uma batucada e outra: “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”.