Cascavel, Sexta-feira, 20 de julho de 2018

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De Dilvo para Geraldo.

A crise do transporte continua e os prejuízos se multiplicam

Ilmo. Senhor

GERALDO ALCKMIN

MD. Candidato à Presidência da República Federativa do Brasil

Brasília – DF

 Prezado Senhor

 A COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL apresenta algumas sugestões de obras, projetos e ações considerados fundamentais para o desenvolvimento da região. Esses pontos, depois de devidamente analisados e enriquecidos com o Projeto de Governo de Vossa Senhoria.

 1º - PROGRAMA DE APOIO À PRODUÇÃO DO OESTE PARANAENSE

AVICULTURA

O Paraná é o maior produtor e exportador brasileiro de carne de frango. Só em 2017, o Estado abateu mais de 1,8 bilhão de aves e respondeu por mais de 35% das exportações brasileiras dessa proteína.

 1.1.1.     O custo da logística de transporte de carne é altíssimo devido principalmente ao elevado valor do pedágio e à falta de maior disponibilidade de transporte ferroviário.

 1.1.2.     A questão sanitária deve ser analisada e aprofundada para que ocorra a redução de índices e a eliminação de determinadas doenças nos plantéis.

1.2.         SUINOCULTURA

Os criadores, as cooperativas e as indústrias têm destinado investimentos substanciais à atividade suinícola. A produção em 2017 chegou a 780 mil toneladas de carne, fazendo com que o Paraná responda por 21% da produção brasileira. O Oeste paranaense tem o maior rebanho e o maior abate de suínos do Estado e, como livre de febre aftosa sem vacinação, vai melhorar a competitividade nas exportações em 30%.

 1.3.         BOVINOCULTURA DE LEITE

Com produção na casa de 1,2 bilhões de litros por ano, o Oeste se consolida como uma das maiores e mais pujantes bacias leiteiras do Paraná. O Estado é o segundo em produção em âmbito nacional, atrás apenas de Minas Gerais.

 1.4.         BOVINOCULTURA DE CORTE

Na pecuária de corte, o Paraná detém apenas 3,5% do plantel nacional, com aproximadamente 7,5 milhões de cabeças. Por isso, o Paraná é o décimo produtor de bovinos, mas, em contrapartida, tem alta qualidade na produção de carnes nobre. Várias cooperativas e empresas frigoríficas pretendem expandir seus indicadores na área tão logo o Paraná conquiste o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação.

 1.5.   PISCICULTURA

  A criação de peixes em tanques artificiais é uma das atividades que mais ganham impulso em cidades do Oeste do Paraná. Devido aos números que a atividade tem alcançado, a região vira destaque nacional em uma área com grande potencial de crescimento, geração de renda e fortalecimento econômico. A produção alcançou as 105 mil toneladas no ano de 2017 e há perspectivas de avanços em 2018 para 300 mil toneladas.

2º - PARANÁ  E O OESTE SEM AFTOSA SEM VACINAÇÃO

O principal ganho do Paraná com a conquista de status de área livre de aftosa sem vacinação virá do mercado internacional. Os principais importadores, como Japão, Estados Unidos, União Europeia, Coreia do Sul e China, não importam carne de países que ainda vacinam os seus rebanhos. O incremento de resultados com o fim da vacinação pode chegar a até 50% no volume das exportações e no preço para as carnes de suínos e de bovinos, gerando receitas e resultados para o setor pecuário paranaense, e principalmente para o Oeste do Paraná.

3º - INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA

A falta de infraestrutura é um dos maiores gargalos para o crescimento econômico do Oeste do Paraná, que mesmo com as suas limitações estruturais e logísticas prospera a índices maiores que os da média nacional. É preciso disponibilizar sistemas adequados e eficientes que possibilitem o escoamento da produção e de outras riquezas para os mercados nacional e internacional. Nesse sentido, os desafios a serem superados necessitam de investimentos nos modais de transporte rodoviário, ferroviário, portuário, hidroviário e aeroviário.

3.1. – BR-277, DUPLICAÇÃO DOS TRECHOS DE PISTA SIMPLES

          O modal rodoviário é o mais utilizado no Paraná, representando cerca de 80% do transporte interno.

Além de medidas para a integração com as ferrovias, é fundamental   a   duplicação de estradas, como também tornar permanentes os programas de conservação de   rodovias em todos os municípios do Oeste do Paraná. A BR-277  e faltam  apenas 50 quilômetros a serem duplicados. 

3.2. – FERROVIA DE CASCAVEL A PARANAGUÁ E AO PARAGUAI

O Brasil tem 70% da Logística de Transporte de Grãos e outros Produtos do Agronegócio pelas Rodovias, com 1.9 milhões de caminhões para atender a demanda, enquanto os USA tem somente 15% do transporte de grãos por Rodovias.

A história de desenvolvimento do Brasil foi alicerçada pela construção de RODOVIAS e o escoamento da produção pela logística rodoviária, com alto custo para todo o país e principalmente ao Agronegócio. Hoje, o país é o Terceiro Produtor Mundial de Grãos com produção de 232 milhões de toneladas e também o Terceiro na produção de Carnes com 28 milhões de toneladas e somos o Maior Exportador de Carnes e o Segundo de Grãos, do Mundo. Os USA produz 520 milhões de toneladas de grãos e 32 milhões de toneladas de carnes e 85% da produção agropecuária é transportada por Hidrovias e Ferrovias.

 A paralização dos caminhoneiros em maio de 2018, evidenciou que é necessário e urgente a expansão e a modernização das FERROVIAS BRASILEIRAS. O Oeste do Paraná desperdiça R$ 300 milhões anualmente pela falta de uma FERROVIA eficiente. Existem os TRILHOS, mas as condições destes, e a operacionalização são inviáveis. Está evidente a necessidade de elaborar um novo projeto FERROVIÁRIO do Oeste do Paraná ao Porto de Paranaguá, com ramais para o Sudoeste do Paraná, para o Estado do Mato Grosso do Sul e para o Paraguai.

É necessário compreender que a FERROESTE, que liga Cascavel à Guarapuava, e mais o outro trecho de Guarapuava ao Porto de Paranaguá, operação da concessionária RUMO/ALL, não tem viabilidades operacionais. A Ferrovia tem a capacidade operacional no máximo de 12 milhões de toneladas ao ano, na chegada de Paranaguá, enquanto que a necessidade do Paraná para atender a demanda atual do Porto seria de no mínimo 30 milhões/toneladas.

 A solução é fácil, depende da visão dos governos do Estado e Federal, para modernizar os trechos existentes e a construção de novos trechos dentro da viabilidade técnica e econômica, para aumentar a produtividade e atender a demanda do Paraná. Somente para atender o Oeste e Sudoeste do Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul e parte do Paraguai, precisa de uma Ferrovia com capacidade de transporte de mais de 15 milhões de toneladas ao ano.

 A modernização da Ferrovia e a construção de novos trechos demandam investimentos de U$ 4,00 bilhões ou R$ 15 bilhões, e isso só é possível com investimentos privado e com a participação do capital estrangeiro. Pois, os Governos estão com a situação financeira comprometida pela manutenção da máquina pública e não tem condições de investimentos, e promover o desenvolvimento do País e do Paraná com eficiência só será possível e viável com melhorias da Rede Ferroviária existente. 

Os USA, a segunda maior economia mundial investiu U$ 27 bilhões em ferrovias em 2015, totalmente pelo setor privado e movimentaram mais de U$ 250 bilhões na economia Americana. O Oeste do Paraná desperdiça R$ 300 milhões por ano pela falta de uma FERROVIA eficiente e o Brasil mais de R$ 6,00 bilhões/ano.

 3.3. ESTRADAS RURAIS

O Programa Patrulhas Rurais é desenvolvido pelo Governo do Estado para disponibilizar aos consórcios intermunicipais maquinário para readequação e melhorias de estradas rurais. Essa é uma ação importante que ajuda os municípios porque facilita o escoamento da produção agrícola e pecuária, com mais resultados e melhoria da qualidade de vida das comunidades. Estradas melhores são sinônimo de combate ao desperdício de grãos, redução de quebras e manutenção de caminhões, rapidez no transporte e, consequentemente, mais competitividade aos produtos da região.

 4º - AEROPORTO REGIONAL

O sistema aeroportuário da região necessita há muito de mais um grande aeroporto para atender a demanda atual e o crescimento econômico em curso e que se projeta para o Oeste do Paraná nos próximos anos.

O aeroporto de Foz do Iguaçu atende a região da fronteira do Brasil e o turismo, mas os outros aeroportos existentes são pequenos e estão longe de dar conta da demanda da população de mais de um milhão de pessoas do Oeste e Sudoeste do Paraná.

5º - APOIO À PRODUÇÃO DE GRÃOS

       A busca por mais produtividade deve levar em conta a sustentabilidade e o não aumento de área. A agricultura digital, com ferramentas cada vez mais revolucionárias de agricultura de precisão, inteligência artificial, internet e outras, vai dar os rumos do agronegócio brasileiro e mundial, e o Oeste do Paraná tem que participar e ser referência em produtividade com sustentabilidade.  

      O Paraná é o segundo maior produtor de grãos do Brasil (36 milhões de toneladas por ano) e o Oeste é responsável por um terço da produção paranaense. Porém, não temos novas fronteiras para expansão da área de grãos, então é preciso dar apoio a novas tecnologias e aos centros de pesquisa existentes no Oeste, bem como aos grandes eventos tecnológicos como o Show Rural Coopavel.

       A biotecnologia pode ajudar os produtores a colher 9.000kg de soja por hectare, ou seja, 22.000kg do grão por alqueire. Quanto ao milho, os produtores podem chegar a 24.000kg por hectare, ou seja, 60.000kg por alqueire, equivalente a mil sacas de milho por alqueire.

        A sustentabilidade, sem aumento da área plantada, é o grande e o único caminho para o aumento do rendimento das lavouras no Oeste do Paraná. A produção integrada entre agricultura e pecuária, por meio da transformação de grãos em proteína animal, é a melhor alternativa para a geração de empregos e para o desenvolvimento social e econômico do Oeste do Paraná.

6º - GENÉTICA DE ALTO PADRÃO

O Oeste do Paraná precisa incentivar empresas brasileiras e mundiais de genética (aves, suínos, bovinos de leite e corte, e outros animais) a ampliar a produção e a diversificação da cadeia da produção, com implantação no Oeste de granjas de animais de alto padrão genético.

7º - INCENTIVO À TECNOLOGIA

    Incentivo a novas empresas de tecnologia é outro fator determinante. Elas terão papel decisivo na agricultura e na pecuária do futuro, que será totalmente digital, semelhante aos modelos presentes em celulares e outros equipamentos.

     A tendência é o uso de tecnologia de gerenciamento de dados de colheita e outras atividades na área rural que englobem informações agronômicas e desempenho das máquinas, evitando a sobreposição de sementes e de químicos na pulverização. O futuro será também de máquinas menores, com mais tecnologias e robótica.

8º - SAÚDE NA ÁREA RURAL

É fundamental estruturar um programa de saúde exclusivo para atender a área rural. Ele pode funcionar com o apoio de cooperativas e de empresas do agronegócio. Com isso, os agricultores e os seus colaboradores teriam mais segurança, redução de custos com uma área importante da vida familiar e, por outro lado, ocorreria gradualmente o desafogamento da estrutura urbana de saúde.

 9º - SEGURANÇA PÚBLICA

      Produzir com paz e tranquilidade é uma das condições fundamentais para qualquer empresa e para qualquer família que precisa de oportunidades e de renda para se manter. O Oeste do Paraná, além de um dos principais celeiros nacionais, é também territorialmente estratégico por fazer divisa com dois dos seus parceiros no Mercosul, o Paraguai e a Argentina. O crescimento integrado que todos desejam e merecem ter na região depende, entre outros fatores, de segurança pública de qualidade.

       Para combater a crescente onda de crimes contra o erário e a economia brasileira, principalmente devido ao descaminho e o contrabando, é preciso ampliar os efetivos policiais e melhor aparelhar todas as forças que protegem as comunidades das 50 cidades do Oeste e a região banhada pelo reservatório da hidrelétrica de Itaipu.

  10º - NÃO RENOVAÇÃO DA CONCESSÃO DOS CONTRATOS DE PEDÁGIOS E DE FERROVIAS

       O Oeste do Paraná, corajosa e decididamente por meio de suas entidades representativas, ergue-se contra o pedágio, suas elevadas tarifas e os constantes aditivos que retiraram obras fundamentais dos contratos de concessão, principalmente aquelas de aumento de capacidade de fluxo – terceiras faixas e duplicações.

      Ao mesmo tempo em que reforça sua posição pela não renovação dos atuais contratos, o Oeste do Paraná informa que poderá participar dos novos processos de licitação por meio de empresas privadas de capital nacional ou em parceria com o capital estrangeiro. Não há dúvidas de que esse novo processo vai corrigir distorções graves e valorizar a competitividade das produções do Oeste e do Paraná.

       O mesmo argumento vale para as ferrovias, instrumento há muito utilizado para o contínuo processo de expansão econômica em países desenvolvidos.

11º - MERCADO INTERNACIONAL

       O Brasil é gigante nas exportações do agronegócio. Somos os maiores exportadores de carnes de frango e bovino e o quarto exportador de carne suína. O Oeste do Paraná tem as melhores plantas frigoríficas e grande expertise na produção, mas a abertura do mercado internacional é uma missão da iniciativa privada e do governo. Por isso, neste período de profundas transformações tecnológicas e de conceitos de produção na agricultura e na pecuária, precisamos quebrar o excesso de burocracia brasileira e muitos paradigmas. A tendência do Oeste do Paraná é cada vez mais aumentar as suas exportações. Contudo, precisa de um trabalho em conjunto com a iniciativa privada e governo para a abertura de novos mercados internacionais.

       Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, os municípios da região Oeste do Paraná exportaram de janeiro a abril de 2018, U$ 541 milhões. Isso projeta para U$ 1,5 bilhão para o ano de 2018, e os principais destinos são China, Oriente Médio, Hong Kong, Argentina, Uruguai e Paraguai.

12º - O INCENTIVO AO EMPREENDEDORISMO

       O Oeste do Paraná é um celeiro de grandes empreendedores, mas sem incentivo e oportunidades para esses líderes colocarem suas ideias em prática, eles irão para outras regiões. Com isso, perderemos os nossos grandes talentos.

       As melhores empresas dos USA se mantêm em evidência porque acreditam em inovações e precisam de energia e novas ideias. Enfim, precisam de empreendedores. Nenhum empreendedor começa com grandes orçamentos, eles têm grandes ideias.

       O movimento mundial de empresas comprando grandes empresas e grandes fusões afetam a economia do Oeste do Paraná. A região tem muitas oportunidades que são aproveitadas por empreendedores de fora justamente por falta de incentivo aos empreendedores daqui.

       Vivemos a melhor época de toda a história. O Brasil vai mudar o modelo político e a iniciativa privada terá melhores oportunidades, exemplo são as concessões. Então os empreendedores do Oeste do Paraná estarão em condições de participar, mas precisam de apoio e incentivo.

13º - VBP – VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO

         O VBP – Valor Bruto da Produção do Paraná em 2017 foi de R$ 85.3 bilhões e nos 48 municípios do   Oeste do Paraná o VBP foi  R$ 18.4 bilhões, o equivalente a 22% do Estado.

 Dentre os municípios do Oeste do Paraná, destacam-se, o município de Toledo com R$ 2,2 bilhões e o município de Cascavel com o VBP de R$ 1,55 bilhões.

 14º- COOPERATIVISMO

As cooperativas de produção agrícola e pecuária do Paraná tiveram no ano de 2017 faturamento de R$ 70,6 bilhões. Elas exportaram R$ 8,3 bilhões.

No Oeste temos 10 Cooperativas Agropecuárias que atendem 50 mil Produtores Rurais, sendo 85% de Pequenos Produtores, com 45 mil colaboradores, faturamento de mais de R$ 30 bilhões e exportações superior a U$ 1 bilhão/ano.

Entre as 15 (quinze) maiores Cooperativas Brasileiras, 7 (sete) estão no Oeste que são: Coopavel, Coamo, C. Vale, Lar, Copacol, Frimesa e Copagril, mas a pujança da Cooperativismo do Oeste tem 12 (doze) cooperativas que atuam na área de grãos e Agroindústrias, que são:

1)    Coamo

2)    C. Vale

3)    Lar

4)    Copacol

5)    Coopavel

6)    Frimesa

7)    Copagril

8)    Unitá

9)    Cotriguaçu

10)  Primato

11)  Agropar

12)  Copices

As Cooperativas do Oeste movimentam 65% da Produção Agropecuária do Paraná e tem mais 50 (cinquenta) agroindústrias na área de:

1)    GRÃOS - movimentam mais de 4 milhões de toneladas de grãos de soja, milho, trigo, feijão e outros.

 2)    AVICULTURA - abatem e industrializam mais de 500 milhões de frangos ao ano.

  3)    SUINOCULTURA – abatem e industrializam mais de 30 milhões de cabeças/ano.

 4)    PISCICULTURA – abatem e industrializam mais de 300 toneladas de peixe/ano.

  5)    TRIGO – industrializam mais de 250 mil toneladas de trigo ao ano.

 6)    LEITE – recebem e industrializam mais de 300 milhões de litros de leite/ano

 7)    OUTRAS AGROINDÚSTRIAS na área de rações, fertilizantes, esmagamento de soja, produção de sementes e bovinocultura de corte.

15º - COOPERATIVAS DE CRÉDITO

    Outra atitude há muito aguardada é o devido apoio ao cooperativismo de crédito. Essa modalidade, comum e das mais presentes em países de regiões desenvolvidas do mundo, permite às pessoas caminhos mais rápidos, seguros e sem burocracia para acesso ao crédito. O Oeste do Paraná precisa, diante do enorme alcance dessa ferramenta e das transformações que pode implementar na economia e na vida das famílias, pensar em desenvolver o seu primeiro banco cooperativo regional. 

Atenciosamente

DILVO GROLLI                                                                     IBRAHIM FAIAD

Diretor Presidente                                                               Diretor Credicoopavel