Cascavel, Segunda-feira, 24 de setembro de 2018

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Adeus, rodoviária velha

Conheça o projeto que busca investidores para a completa reformulação da última área degradada no centro de Cascavel

A expressão “prostituta da rodoviária” era um dos maiores insultos que se poderia dirigir para uma mulher na Cascavel dos anos 1970. Durante toda aquela década até o ano de 1984, o terminal rodoviário funcionou no centro da cidade, a 100 metros da Avenida Brasil.

E era mesmo ponto de prostituição e consumo de drogas. Aquele lugar congelou 34 anos no tempo. Nem as “mulheres da vida fácil” - expressão estigmatizante que carimba a mais antiga das profissões - aparecem mais por lá. É que a clientela dos hotéis baratos e decadentes sumiu junto com os ônibus que vinham e partiam freneticamente.

A região, bem no miolo da cidade, e que já fora um “formigueiro” humano, o ponto de partida da grande imigração para Rondônia e o Norte do Brasil, é a área mais degradada de Cascavel.

Apenas uma quadra dali, a Avenida Brasil surge rejuvenescida, repaginada pelos muitos milhões do Programa de Desenvolvimento Integrado, o PDI. Já o entorno cinzento da antiga rodoviária se tornou uma espécie de primo pobre da cidade rica, um indigente entre os abonados.

Mas isso pode mudar. O urbanista mais consagrado da cidade, Nilson Gomes Vieira, elaborou um ousado projeto para o local. Falar em revitalização é desprezar o trabalho do arquiteto. Ele foi muito além.

Provisoriamente denominado “Novo Centro”, o projeto prevê a Rua da Cidadania, designando a atual mão inglesa para os pedestres e artesãos, a Praça da Cidadania dotada de um teatro de arena , institutos para crianças e idosos com aproveitamento de edificação já existente, tudo integrado por elementos vazados de concreto, solução parecida com a adotada por Niemeyer em Brasília.

Nilson Vieira sabe que Paranhos é entusiasta do “Novo Centro”. O prefeito, inclusive, é um dos milhares que chegou a Cascavel por aquele terminal, adolescente ainda, vindo de Paraíso no Norte somente com a roupa do corpo. Porém, o arquiteto também sabe que o município não pode bancar sozinho uma obra desta dimensão.

Aqui vem a sustentabilidade do projeto. Uma torre comercial está prevista para atrair investidores em uma parceria público-privada (PPP). O vencedor da licitação irá construir e explorar o edifício, também já desenhado por Vieira, e como contrapartida executa as obras no entorno.

O edifício Cascavel Executive Center, com 10 mil metros de área, poderá comportar 16 operações gastronômicas, dezenas de salas comerciais, restaurante panorâmico, centro de eventos na cobertura e heliponto.

Outro atrativo aos investidores são as 350 vagas de estacionamento vertical, distribuídas em dois andares e mais dois pisos subterrâneos. A exploração do estacionamento nesta área congestionada do centro monetiza a operação e torna o negócio mais atraente.

Palavra do prefeito

“É um belo complexo para ser ofertado em PPP”, diz Paranhos, após analisar detidamente o projeto. “Queremos executá-lo onerando o mínimo possível os recursos da Prefeitura. Vamos apresentá-lo com o Nilson para o empresariado, já tratei deste tema com Edson Vasconcelos, da Acic”, disse o prefeito.
 
“O projeto está em aberto para o debate, para eventuais redimensionamentos, para todas as contribuições”, diz o arquiteto, que o elaborou voluntariamente.
 
“Quando cheguei a Cascavel, meio século atrás, a cidade tinha apenas duas praças. Tive a oportunidade de, como cidadão cascavelense e secretário de Planejamento, projetar muitas outras. Agora é o momento de resgatar a última área degradada do centro”, aposta Nilson Gomes.