Cascavel, Sexta-feira, 17 de agosto de 2018

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Na caneta da Cida

Governadora informa, segunda-feira, se irá desapropriar a área do aeroporto regional

Um dia depois de uma data maternal, 14 de maio, segunda-feira, a governadora Cida Borghetti dirá se será a mãe generosa do Oeste ou repetirá Jaime Lerner, o padrasto malvado dos anos 90, que “engabelou” nossas lideranças.
Será a data que ela vai anunciar (ou não) a destinação de R$ 20 milhões para desapropriar uma área de 65 alqueires no Espigão Azul, na “tríplice fronteira” entre Cascavel, Toledo e Tupãssi.
A reportagem do Pitoco esteve, ontem, na bela área que irá sediar o aeroporto regional na hipótese “mãe generosa”. Basta seguir pouco mais de 20 quilômetros após o DER em direção a Tupãssi e olhar para a esquerda.
Trata-se de uma bela área no alto, de onde é possível vislumbrar a olho nu os últimos andares dos prédios localizados no espigão de Cascavel.  O milharal castigado pela estiagem, dá empoeirados tons verdes para a área.
As terras do Espigão Azul são lendárias pela sua produtividade. “O solo basáltico daquela região a coloca entre as mais produtivas do Brasil”, diz o empresário Átila Saraiva de Rezende, estudioso do assunto.
Segundo o agropecuarista José Fernando Andreazza, que terá cerca de 10 alqueires indenizados pela “mamãe” Cida, a produtividade em sua fazenda fica entre 170 e 180 sacas de soja por alqueire. A média nacional está entre 130 e 140 sacas.
“Dá até dó de colocar um aeroporto ali”, diz Andreazza. Ele só acredita vendo. “Participei de umas dez reuniões com o pessoal do Lerner, 20 anos atrás, e nada”.  Há outros cinco ou seis proprietários para indenizar. A maior área é do ex-deputado toledano, Sabino Campos.
“Inicialmente o Sabino era contra a desapropriação, mas depois mudou de ideia”, relata o deputado José Carlos Schiavinatto, uma das lideranças a frente do processo de convencimento de Dona Cida.
Novo formato - Schiavinatto conta que o projeto original acaba de ser redimensionado. A área indenizável caiu de 165 alqueires lernistas para 65 agora. Cida será orientada a mandar 3 mil sacas por alqueire. “Vale mais”, rebate Andreazza. “Vale pelo menos 3,5 mil sacas”, afirma.
O projeto original previa uma base aérea da Aeronáutica e um terminal de cargas com pista de 4 mil metros de extensão. Os itens foram removidos.
Em 1 de abril (!) do ano passado os prefeitos da “tríplice fronteira” assinaram documentos que protegem o sitio aeroportuário. Ninguém pode edificar nada no entorno sem antes obter autorização das prefeituras.
A medida, em um projeto para 2030, e que vem enrolado desde de 2008, é mais que necessária. Por muito pouco a Eletrosul não fez passar as torres de um linhão ali. Alertada a tempo, alterou o itinerário ao custo de mais de R$ 1 milhão.
Na caneta de dona Cida, está a possibilidade de transformar as produtivas espigas do Espigão Azul em espigados voos planeta afora, riscando definitivamente Cascavel e Toledo do buraco negro do transporte aéreo nacional.


Editorial

A etapa mais difícil do Aeroporto Regional foi vencida. As principais lideranças do Oeste venceram a visão ultrapassada que põe fronteiras no lugar de divisas entre Cascavel e Toledo. Vencidas as forças do atraso, era preciso avançar devagar e sempre, que em algum momento a bola viria para a marca do pênalti. E o momento é agora. Garantir a área é um pequeno passo para o Palácio Iguaçu, mas um grande salto para a região Oeste.